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Adolescentes do projeto “Esporte e Cidadania” se destacam no Estadual de caratê no Rio

publicado: 04/04/2019 16h30, última modificação: 02/12/2019 18h47

Adolescentes do Centro de Recursos Integrados de Atendimento ao Adolescente (Criaad) de Campos dos Goytacazes (RJ), unidade recém-inaugurada na região do norte fluminense, se destacaram na primeira etapa do torneio estadual de caratê do Rio de Janeiro, disputada em fevereiro. Os jovens integram o programa Esporte e Cidadania, da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania, e representaram na competição a Academia Samara Jardim. A instituição leva o nome da ex-atleta, dona de medalhas em mundiais, pan-americanos, brasileiros e estaduais. Ao todo, foram sete ouros, quatro pratas e quatro bronzes conquistados pelos adolescentes no torneio.

O Esporte e Cidadania tem como meta democratizar o acesso ao esporte a jovens que se encontram em situação de vulnerabilidade social. Além do caratê, a iniciativa é desenvolvida em núcleos de esporte educacional e contempla modalidades como futsal, futebol, judô, jiu-jítsu, vôlei, handebol, basquete e capoeira.

Atualmente, o programa está presente em 223 núcleos, em 47 municípios do Rio de Janeiro e nove regiões administrativas do Distrito Federal. Ao todo, o número de beneficiados é estimado em 22.300 alunos, a partir de três parcerias vigentes com um investimento total de R$ 42 milhões. As parcerias no Rio de Janeiro são com a Universidade Federal Fluminense e viabilizadas por emendas parlamentares. No DF, com recursos da Secretaria do Esporte, Turismo e Lazer. 

No núcleo de Campos dos Goytacazes, os adolescentes cumprem medidas socioeducativas de semiliberdade. Durante o dia, estudam e têm acesso a projetos de cultura, esporte e lazer na rede pública. À noite, durante a semana, pernoitam na unidade socioeducativa. Em caso de bom comportamento, passam o fim de semana com a família. O trabalho é feito com três professores de educação física, além de Samara Jardim. “O caratê foi um dos esportes desenvolvidos na unidade que mais conseguiu “segurar" os adolescentes em algo mais formal. Quando falamos em luta, imaginamos um esporte com certa agressividade, mas não é isso. O caratê desenvolve limites, disciplina e postura”, ressalta Samara.

Segundo a treinadora, foi a partir do desenvolvimento desses atributos que os jovens se destacaram no Estadual. “Como responsável pela equipe e técnica dos jovens, tenho muito a agradecer à Secretaria Especial do Esporte, que entendeu a importância de colocar esse projeto dentro de uma unidade de socioeducação para melhorar a autodisciplina e contribuir para o processo de reinserção social desses adolescentes”, afirmou Samara.

De acordo com André Mariano da Silva, diretor do Criaad, há até pouco tempo a atividade só contava com cinco ou seis adolescentes. Após o sucesso dos colegas no campeonato, mais jovens se interessaram. Hoje, há quase 15 participantes novos ou que retornaram. "Nosso desafio e objetivo é despertar o interesse do adolescente para conhecer novas realidades, pois a dele, quando entra no sistema, costuma ser difícil, limitada. Quando ele identifica a possibilidade de mudança ou de melhoria de vida a partir da história de alguém com o mesmo contexto dele, isso ajuda muito", afirmou André Mariano.

Tanto Samara quanto André sustentam que a perspectiva prioritária não é o desempenho esportivo em alto rendimento, com pódios e medalhas. “Estamos interessados na formação deles e em seu retorno à sociedade com uma expectativa melhor”, disse André

Nathália Fernandes - Ministério da Cidadania