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Audiência Pública no Senado debate dopagem no fisiculturismo e formas de combater o tráfico de anabolizantes

publicado: 03/04/2019 16h45, última modificação: 02/12/2019 18h47
As denúncias de uso de substância dopantes, principalmente anabolizantes, nos treinamentos e competições de fisiculturismo foram debatidas, nesta quarta-feira (03.04), em Audiência Pública na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal, em Brasília.
 
O diretor técnico da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), André Siqueira, ressaltou que a dopagem é uma fraude ao espírito esportivo e que o governo trabalha para proteger os atletas limpos. “Zelamos pela saúde do atleta. Nossa missão é levar ética ao esporte. A dopagem é contra tudo que o esporte prega, é jogar sujo, é trapaça no ambiente esportivo. Temos que combater tudo que vai contra o Jogo Limpo, não podemos nos conformar com a trapaça”, disse. 
 
Segundo André Siqueira, a ABCD realizou 7.600 testes de controle de dopagem em atletas de 50 modalidades em 2018. O diretor ressaltou que a entidade executa testes em competições promovidas por entidades signatárias do Código Mundial Antidopagem, que seguem as diretrizes da Agência Mundial Antidoping (Wada).
 
“Existem atletas que competem em eventos de organizações que não são signatárias a Wada. A ação sobre esse atleta é muito restrita. Não posso fazer teste nele, não posso mandar para o tribunal, não posso condena-lo. Até porque se ele for condenado a dois, três ou quatro anos ele vai continuar competindo no dia seguinte, porque é parte de uma organização que é fora do sistema”, esclareceu o diretor.
 
Para o presidente da CAS, o senador Romário (Pode-RJ), o problema da dopagem é uma questão de toda a sociedade brasileira. “A gente espera que definitivamente possamos exterminar o doping no esporte, porque é uma questão de saúde e também de segurança pública, porque mata pessoas”, disse. 
 
Romário anunciou que vai pedir aos órgãos de segurança que impeçam a realização de eventos de fisiculturismo que se recusem a realizar testes de controle de dopagem. “A gente vai fazer um comunicado à Polícia Federal e às polícias locais para fechar todos os eventos que tiverem a participação direta de dopagem. Fui atleta e sei do significado do doping. Trata-se de uma praga. É um crime que desmoraliza o esporte e compromete a saúde de milhares de brasileiros que praticam atividades físicas em academias”, afirmou.
 
Para a presidente do Tribunal de Justiça Desportiva Antidopagem (TJD-AD), Tatiana Mesquita Nunes, a dopagem é mais do que uma questão esportiva. “Debater a dopagem é uma questão de saúde pública. Ela é também social, de exemplo para a sociedade como um todo. Tanto que o anabolizante é disparado a primeira substância mais encontrada nos testes. A segunda são os diuréticos, que são agentes mascarantes de outras substâncias. Isso é extremamente preocupante”, destacou.
 
A senadora Leila Barros (PSB-DF), ex-jogadora de vôlei que disputou quatro edições de Jogos Olímpicos, lembrou do período de atleta, quando dedicava aos treinos diários, abdicou da adolescência e da família, sem a necessidade de utilizar substâncias proibidas para aumentar a performance esportiva.  
 
“A questão da dopagem não é um problema só do esporte, mas da sociedade. O esporte está monitorado, por meio da ABCD, mas é um problema de saúde pública ao perder os jovens para o culto do corpo. Temos que ter uma maior fiscalização nas academias, o trabalho junto aos professores de educação física e discutir de forma aprofundada. O esporte virou um grande negócio para a indústria de entretenimento e o grande garoto propaganda do uso de substância de performance é o atleta. Os atletas estão sendo usados por essas pessoas que estão utilizando o esporte de forma errada”, frisou. 
 
Segundo Tatiana Nunes, acompanhar a evolução das práticas fraudulentas é o grande desafio no combate à dopagem: “O nosso primeiro desafio no controle de dopagem é conseguir acompanhar as inovações, porque todo o sistema de médico, de nutricionista e de coaching, que gera muito dinheiro, faz com que as inovações estejam sempre à frente. A Agência Mundial Antidoping adiciona novas substâncias proibidas na lista, mas amanhã surgem outras substâncias que os atletas vão utilizar”.
 
A audiência contou com a presença do presidente da Confederação Brasileira de Musculação, Fisiculturismo e Fitness (CBMFF), Maurício de Arruda Campos. “O uso de drogas para a melhoria de performance é um problema de todos os esportes, não só do fisiculturismo. Hoje, a moçada mais nova perdeu a noção de tempo. O corpo que um fisiculturista demoraria 10 ou 15 anos para conseguir eles querem conquistar em poucos meses”, afirmou. Campos, que também é diretor da Comissão de Educação e Pesquisa da International Federation of Bodybuilding & Fitness (IFBB), denunciou que empresários inescrupulosos estão realizando festivais e competições, no Brasil e no mundo, em que o uso de anabolizantes não só é liberado como estimulado. 
 
Breno Barros – Ministério da Cidadania