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Badminton transforma a vida de crianças e jovens do morro da Chacrinha, no Rio de Janeiro

publicado: 08/11/2019 18h23, última modificação: 17/12/2019 18h44

Aos nove anos de idade, Kleison dos Santos descobriu uma paixão que mudou a sua vida. Nascido e criado no morro da Chacrinha, no Rio de Janeiro (RJ), o jovem viu no badminton uma oportunidade de vida. Hoje com 21 anos, Kleison já é campeão pan-americano na categoria sub-19, viajou por países como República Dominicana, Jamaica, Canadá e Espanha para disputar competições internacionais e está entre os melhores atletas do país na modalidade.

 

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Foto: Helano Stuckert/ Min. Cidadania

 

"Nunca me imaginei jogando nada. Para mim, o badminton só teve a somar e me ajudou muito. Hoje as coisas que compro, que faço, tudo é com o dinheiro que recebo através do badminton, e ainda posso ajudar a família. Não sei onde poderia estar. Sou muito grato ao esporte", conta Kleison.

 

Ana Beatriz Vieira, de 17 anos, também vê o esporte como uma mudança positiva em sua vida: "Antes de começar a praticar badminton, eu não tinha o que fazer, além de estudar. Hoje tenho objetivos, metas e quero muito competir nas Olimpíadas, em campeonatos mundiais e seguir a vida no esporte. Tenho treinado e me dedicado muito para isso".

 

Os dois jovens descobriram o badminton graças à iniciativa de Sebastião Dias de Oliveira, que, no morro da Chacrinha, realizou o sonho de oferecer um espaço que possibilitasse um futuro melhor aos jovens daquela comunidade. A Associação Miratus é hoje é um dos maiores centros de formação de atletas de badminton do país.

 

Sebastião passou grande parte da sua infância na Fundação Nacional de Bem-Estar do Menor (Funabem), onde despertou o interesse pelo esporte ao começar a praticar natação. A primeira ideia foi oferecer natação para as crianças da Chacrinha, mas Sebastião percebeu, quando conheceu o badminton, que era nisso que deveria apostar, mesmo não sendo um esporte popular. "Um professor me mostrou uma raquete diferente, que se jogava com peteca, e aquilo foi muito interessante. Eu queria levar isso para as crianças."

 

Em 2000, criou a Associação Miratus e, desde então, mais de 4 mil crianças e jovens passaram por lá. Para ele, é uma alegria transformar a vida de tantos jovens por meio do esporte. A metodologia de ensino também é inovadora. Sebastião decidiu unir o samba aos métodos esportivos do badminton.

 

"Eu precisava de um movimento que trabalhasse os membros inferiores e o jogo de pernas. Em outros países, por exemplo, as pessoas pulam corda, mas queria algo que fosse mais nosso. Vi um sambista na televisão e logo pensei: 'O samba'", recorda. Ele explica que o Bamon – metodologia criada por ele – é baseado no movimento, e em cima dele foi aplicado o samba. Sebastião atribui à técnica o resultado expressivo de campeões de badminton que saem da Miratus: "O samba é divertido. Você se diverte fazendo um exercício extremamente complexo e traz um conforto para o treinamento".

 

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Ygor Coelho: cria da Chacrinha e primeiro medalhista de ouro do Brasil em Jogos Pan-Americanos. Foto: Abelardo Mendes Jr./ rededoesporte.gov.br

 

Celeiro de craques

 

Do morro da Chacrinha já saíram grandes nomes do badminton brasileiro, entre eles o filho de Sebastião, Ygor Coelho, que neste ano, em Lima, conquistou a primeira medalha de ouro para o badminton brasileiro em Jogos Pan-Americanos. O irmão de Ygor também foi estimulado desde criança a praticar badminton. Hoje com 18 anos, Doniângelo Oliveira foi bicampeão sul-americano e campeão pan-americano na categoria sub-11.

 

"O esporte permite que você tenha um outro caminho que não o do tráfico e da violência. O favelado vive dentro de uma bolha, a sociedade não oferece oportunidades. O badminton me proporciona muitas coisas. Além de títulos, neste ano eu consegui o benefício do Bolsa Atleta, que tem me ajudado muito. É graças a ele que posso pensar em fazer um curso de inglês. Se não fosse o Bolsa Atleta, a gente não teria essas grandes oportunidades que temos", avalia Doniângelo.

 

A Associação Miratus conta hoje com 110 crianças e jovens. O programa Bolsa Atleta, da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania, está presente na vida de 16 desses jovens, que recebem o benefício nas categorias Nacional e Internacional. Durante vários anos desde sua criação, o projeto captou recursos via Lei de Incentivo ao Esporte. Atualmente, aguarda análise de documentação para voltar a se utilizar da lei e buscar apoio na iniciativa privada.

 

Jessica Barz - Ascom - Ministério da Cidadania