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Antidopagem

Brasil apresenta ações na luta contra a dopagem em assembleia do Conselho Americano do Esporte

publicado: 19/02/2020 23h39, última modificação: 27/02/2020 14h02
Em reunião no Equador, Secretaria Especial do Esporte destaca campanha educativa #JogoLimpo da ABCD, que atendeu mais de 78 mil pessoas em 2019

O papel educativo do combate à dopagem foi tema da assembleia do Conselho Americano do Esporte (CADE), realizada nesta quarta-feira (19.02), na cidade de Salinas, no Equador. Diante dos demais países que integram o grupo e de entidades como a Agência Mundial Antidopagem (WADA, na sigla em inglês), a Unesco América Latina e a ONU Mulheres, o Brasil teve a oportunidade de apresentar o trabalho desenvolvido pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), que no ano passado atendeu mais de 78 mil pessoas, entre crianças, adolescentes, atletas, familiares e profissionais do esporte, por meio da campanha #JogoLimpo.

 

 

“Na Secretaria Especial do Esporte, esse tema da antidopagem é muito importante, uma grande prioridade. Temos uma Secretaria que trata especificamente desse tema, a ABCD, e graças aos grandes eventos que sediamos, temos nosso próprio laboratório, o que é uma conquista extraordinária. Isso demonstra a importância que damos ao jogo limpo”, destacou o secretário especial adjunto do Esporte do Ministério da Cidadania, Marco Aurélio Araújo. “O jogo limpo tem dois lados importantes, que são o processo educacional da antidopagem e o controle do atleta de alto rendimento. A gente procura desenvolver as atividades que dão melhor qualidade a esses dois aspectos”, completou.

 

No ano passado, a ABCD promoveu diversas ações educativas, como palestras e jornadas de capacitação de oficiais, além de marcar presença em grandes eventos para tratar do combate à dopagem. Nos Jogos Escolares da Juventude, em Blumenau (SC), a entidade atendeu 2.847 pessoas, enquanto 585 foram alcançadas nas Paralimpíadas Escolares, em São Paulo (SP), e outras 722 nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), em Salvador (BA). Um trabalho sempre pautado na conscientização e em informações sobre valores éticos e morais do esporte.

 

“A ABCD quer apoiar os atletas e o esporte como um todo, com ações práticas de informação, educação e prevenção. É assim que trabalhamos. Estamos à disposição das Américas para um trabalho conjunto em prol do controle da dopagem”, afirmou em sua apresentação o coordenador geral de Esporte-Educação da Secretaria Nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social (Snelis) do Ministério da Cidadania, Carlos César Lombardi.

 

Cade
Foto: Ana Felizola/ Ministério da Cidadania

 

Laboratório

Ao longo de 2019, a entidade brasileira realizou 8.697 operações de controle de dopagem, sendo 6.665 amostras válidas apenas no futebol, coletadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Nas demais modalidades, das 1.896 amostras válidas (1.555 de urina e 341 de sangue), 1.157 (61%) foram coletadas pela ABCD fora de competições. Todas foram analisadas no Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD), vinculado ao Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 

Inaugurado em 1989 e reinaugurado em 2015, o LBCD é o único laboratório da América do Sul acreditado pela WADA. “É um grande laboratório, que nos serviu nos Jogos Rio 2016 e continua fazendo um grande trabalho, fruto do investimento do governo brasileiro”, comentou Lombardi. Para a operação olímpica, o local recebeu R$ 163,6 milhões para a construção do novo prédio e a compra de equipamentos modernos.

 

Diretor geral da WADA, Olivier Niggli também destacou o esforço da entidade em priorizar ações educativas. Segundo ele, desde 2015 são organizadas conferências internacionais de educação antidopagem, e em 2018 foi lançada uma plataforma de aprendizado pela internet, a ADeL, que hoje conta com mais de 75 mil usuários registrados. “A educação é uma prioridade para nós. A longo prazo, é a única resposta ao antidoping”, enfatizou.

 

“Todos sabemos que o esporte constitui um grande movimento social. Para conseguirmos que ele mantenha esse papel, é preciso respeitar a ética e os valores humanos, e continuar apoiando a luta contra a dopagem”, afirmou Israel Verdugo, secretário de Esporte do Equador e que presidiu a assembleia.

 

Instrumento social

Além do cunho educacional na busca pelo jogo limpo, a assembleia do CADE tratou de outros assuntos, como igualdade social e de gênero, inclusão, prevenção de violência e, sobretudo, o valor do esporte como ferramenta de transformação e de desenvolvimento social. “O número de medalhas de um país não expressa o desenvolvimento social. No governo federal do Brasil, grande parte dos nossos recursos são investidos no esporte de lazer e inclusão social”, destacou o secretário Marco Aurélio Araújo.

 

“Para países como os nossos, precisamos mostrar que podemos ter ídolos na sociedade, referências às crianças de que o esporte é uma maneira de educar”, afirmou Ernesto Barrero, ministro de Esportes da Colômbia. Para a brasileira Karina Frainer, que conduz um programa alemão junto a outros países para estimular o esporte com fins de desenvolvimento social, o enfoque no ensino às crianças deve estar também nas capacidades de interação, e não apenas nas técnicas. “Mais do que achar talentos esportivos, é ensinar para a vida em sociedade”, reforçou.

 

Participaram da assembleia do CADE representantes de Argentina, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, Espanha, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Suriname, Ilhas Turcas e Caicos, Uruguai e Venezuela.

 

Na última terça-feira (18), o secretário especial adjunto também participou da reunião do Conselho Sul-Americano de Esporte (Consude), em que apresentou o planejamento para os Jogos Sul-Americanos Escolares, em dezembro, em Fortaleza (CE). Nesta quinta-feira (20), o Brasil integra a assembleia do Conselho Ibero-americano do Esporte (CID), também em Salinas.

 

Por Ana Cláudia Felizola, de Salinas (Equador)

 

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