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Mundial de Atletismo Paralímpico

Brasil faz campanha histórica e termina Mundial de Dubai na inédita segunda posição

publicado: 16/11/2019 12h02, última modificação: 17/12/2019 19h00

O Brasil fez a sua melhor campanha da história no Mundial de Atletismo Paralímpico, em Dubai. O país encerrou a competição nesta sexta-feira, 15.11, no segundo lugar do quadro-geral de medalhas. Os brasileiros subiram ao pódio 39 vezes, com 14 ouros, nove pratas e 16 bronzes.

 

Até então, a melhor colocação do Brasil em Mundiais tinha sido na edição de Lyon 2013, quando o time ficou com a terceira colocação. "Do ponto de vista técnico, se traçarmos um comparativo entre Lyon e Dubai, com os tempos registrados em 2013, nós teríamos conquistado aqui quatro ouros, uma prata e nenhum bronze. Isso significa que essa, sem nenhuma dúvida, é a melhor participação do Brasil na história em Mundiais de Atletismo", afirmou Mizael Conrado, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro.

 

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Bronze de Vinicius Rodrigues na prova dos 100m T63, para amputados de perna, foi o último dos 39 pódios do Brasil em Dubai. Foto: Daniel Zappe/Exemplus/CPB

 

A China foi, mais uma vez, a campeã, com 25 ouros, 22 pratas e 11 bronzes, de um total de 58. No terceiro posto, atrás do Brasil, veio a Grã-Bretanha, com 13 ouros, nove pratas e seis bronzes. "Estamos extremamente contentes. A performance foi fenomenal. Treinamos muito para estar aqui. Só temos que agradecer o empenho deles e agora começa a expectativa para Tóquio", comentou Jonas Freire, diretor-técnico adjunto do CPB, e chefe da delegação brasileira no Mundial de Dubai.

 

A evolução brasileira fica ainda mais cristalina quando comparada aos dois Mundiais que antecederam o de Dubai. Em Londres 2017, foram 21 pódios, com oito ouros. Em Doha, o número de medalhas foi superior (35), porém o de ouros foi idêntico ao da capital britânica. Do grupo de 43 atletas nacionais, 40 são integrantes do Bolsa Pódio, programa da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania, num investimento federal anual no grupo de R$ 5,7 milhões.

 

Na sexta-feira, 15.11, o Brasil conquistou suas duas últimas medalhas, com o bronze de Adriano de Souza na classe RR3 da petra (para paralisados cerebrais) e o bronze também nos 100m da classe T63 (amputados de perna), com Vinícius Rodrigues. Ele ficou distante do ouro por seis centésimos. O campeão foi o dinamarquês Daniel Wagner (12s32), seguido do alemão Leon Schaefer (12s34), enquanto que o brasileiro cruzou a linha de chegada em 12s38.

 

"Estou com muita raiva. Vim para o ouro, estava me sentindo bem, mas larguei mal, e no fim não cheguei como gostaria", comentou o atleta, que ainda é o detentor do recorde mundial, com 11s95, alcançados no CT Paralímpico, durante o Open Loterias Caixa, em abril deste ano.

 

Em Dubai 2019, Brasil alcançou a façanha de conquistar medalha em todas as provas disputadas no campo. Foram seis ouros e cinco bronzes, o que corresponde a 28% dos pódios brasileiros em Dubai.

 

Quatro recordes mundiais foram estabelecidos pelos brasileiros nos Emirados Árabes Unidos, dos quais três foram registrados em provas de campo. Os paulistas Beth Gomes e Alessandro Rodrigo bateram recordes no lançamento de disco das classes F52 (cadeirantes) e F11 (cegos), respectivamente. O paraibano Cícero Valdiran foi recordista no lançamento de dardo F57. A nova marca mundial da pista foi estabelecida pelo paraibano Petrúcio Ferreira nos 100m T47 (amputados de braço), com 10s42, marca que tornou o brasileiro o atleta mais rápido da história das competições paralímpicas, levando em conta todas as classes. A prova ainda teve um pódio triplo brasileiro. O vice-campeão foi o carioca Washington Júnior e o bronze foi para o alagoano Yohansson Nascimento.

 

"O Centro de Treinamento, em São Paulo, já oferece algum impacto para o rendimento do Brasil. Temos projetos estruturais de desenvolvimento até o alto rendimento, como o Camping Escolar, que é o elo entre as Paralimpíadas Escolares e o alto rendimento. Assim, temos muito jovens aqui. Este resultado mostra que vamos fazer história no Japão", completou Mizael Conrado.

 

Esta foi a nona edição da competição e teve como sede o Dubai Club for People of Determination desde a quinta-feira, 7.11. A Seleção levou 43 competidores entre os 1.400 inscritos de 120 países no Mundial de Dubai. O próximo Mundial de Atletismo será na cidade japonesa de Kobe em 2021.

 

 

Todos os medalhistas:

 

OURO
Rayane Soares – 400m, classe T13
Júlio César Agripino – 1.500m, classe T11
Thiago Paulino – arremesso de peso, classe F57
Petrúcio Ferreira – 400m, classe T47
Thalita Simplício - 400m, classe T11
Daniel Martins - 400m, classe T20
Claudiney Batista – lançamento de dardo, classe F56
Jerusa Geber – 100m, classe T11
Petrúcio Ferreira – 100m, classe T47
Alessandro Rodrigo – lançamento de disco, classe F11
João Victor Teixeira - lançamento de disco, classe F37
Lucas Prado - 100m, classe T11
Elizabeth Gomes - lançamento de disco, classe F52
Cícero Valdiran - lançamento de dardo, classe F57

 

PRATA
Mateus Evangelista – salto em distância, classe T37
Thomaz Ruan – 400m, classe T47
Daniel Mendes – 400m, classe T11
Rayane Soares – 200m, classe T13
Joeferson Marinho – 100m, classe T12
Washington Júnior – 100m, classe T47
Thalita Simplício - 200m, classe T11
Vitor de Jesus - 200m, classe T37
Rodrigo Parreira – salto em distância, classe T36

 

BRONZE
Alessandro Rodrigo – arremesso de peso, classe F11
Gabriela Mendonça – salto em distância, classe T12
Raissa Rocha – lançamento de dardo, classe F56
João Victor Teixeira – arremesso de peso, classe F37
Viviane Ferreira – 100m, classe T12
Felipe Gomes – 400m, classe T11
Izabela Campos – lançamento de disco, classe F11
Lorena Spoladore, 100m, classe T11
Fabricio Ferreira, 100m, classe T12
Yohansson Nascimento – 100m, classe T47
Felipe Gomes - 100m, classe T11
Lorena Spoladore - 200m, classe T11
Táscitha Cruz - 100m, classe T36
Marivana Nóbrega - arremesso de peso, classe F35
Adriano de Souza – 100m, classe RR3
Vinícius Rodrigues – 100m, classe T63

 

Fonte: Comitê Paralímpico Brasileiro

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