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TAEKWONDO

Brasil garante presença em três categorias olímpicas do taekwondo: 100% bolsistas

publicado: 13/03/2020 11h32, última modificação: 13/03/2020 11h36
Milena Titoneli e Ícaro Miguel se somaram a Edival Marques. Os três fazem parte da Bolsa Pódio, principal categoria do Bolsa Atleta, da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania

O Brasil garantiu três atletas na disputa olímpica do taekwondo. Na seletiva concluída nesta quinta-feira (12.03) em Heredia, na Costa Rica, Milena Titoneli (-67kg) e Ícaro Miguel (-80) se somaram a Edival Marques, o Netinho, que havia carimbado o passaporte na quarta. Talisca Reis (-49kg) chegou até a luta decisiva pela vaga, mas acabou derrotada.

 

Netinho, Ícaro e Milena: trio brasileiro garantido em Tóquio. Foto: Confederação Brasileira de Taekwondo


Os quatro atletas são integrantes da Bolsa Pódio, categoria mais alta do Bolsa Atleta, programa da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania. O investimento federal anual no quarteto é de R$ 624 mil anuais. Na modalidade como um todo, o Bolsa Atleta contempla 236 atletas olímpicos (130 homens e 106 mulheres) e seis paralímpicos (quatro homens e duas mulheres), num investimento federal anual estimado em R$ 4,7 milhões.


Com os resultados do taekwondo, o Brasil soma agora 174 atletas garantidos nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 19 modalidades. Dessas 174 vagas, 47 já têm nome e sobrenome (as demais ainda dependem de convocação). Desse universo, 43 recebem o Bolsa Atleta, ou 91,5% do total. O investimento nesse grupo é de R$ 5,62 milhões em 12 meses.

"Vim para a competição com vontade de fazer história e acho que em Tóquio vem mais. Já liguei em casa e avisei que podem comprar a passagem para torcer em Tóquio"

Ícaro Miguel

 

Para conquistar a vaga, Ícaro, que não tem a visão do olho direito, entrou direto nas quartas de final por ser o cabeça de chave número 1 da categoria -80kg (ele é o quarto colocado no ranking olímpico). Na estreia, contra Isiah Pollard, de Trinidad e Tobago, venceu por 22 x 6, com tranquilidade. Na semifinal, mais uma vitória sem sustos contra Miguel Ferrera, de Honduras, por 33 x 10. Com a disputa vale duas vagas, não há disputa da final.


"Vim para a competição com vontade de fazer história e acho que em Tóquio vem mais ainda. A gente já esperava um bom resultado, não só meu, mas de toda a equipe. Achei que a decisão ia ser mais dura, mas depois que acertei um primeiro golpe a luta se desenvolveu bem e consegui ampliar o placar. Já liguei em casa e avisei que podem comprar a passagem para torcer para mim em Tóquio", celebrou Ícaro Miguel.

 

Milena conquistou o ouro nos Jogos Pan-Americanos e o bronze no Mundial em 2019. Foto: Abelardo Mendes Jr./ rededoesporte.gov.br


Milena Titoneli também começou a caminhada rumo a Tóquio na segunda fase. Atual campeã dos Jogos Pan-Americanos, a atleta de São Caetano (SP) mostrou o porquê de estar entre as melhores do continente com uma vitória de 22 x 0 sobre a peruana Eliana Vasquez. Na luta decisiva, enfrentou a cubana Arlettys Acosta. Dominante na luta, a brasileira abriu 6 x 0 no início no terceiro round, mas Acosta conseguiu encostar no placar no último round, marcando três pontos. Nada que tirasse o controle de Milena. Ela derrotou a adversária por 7 x 5.

 

"Essa era a minha meta e estou feliz por estar classificada. Senti um pouco de nervosismo no início do dia, mas as coisas foram se encaixando e foi mais um passo na busca do meu sonho, que é ser campeã olímpica"

Milena Titoneli

"Essa era a minha meta e estou feliz por estar classificada. Senti um pouco de nervosismo no início do dia, mas as coisas foram se encaixando e foi mais um passo na busca do meu sonho, que é ser campeã Olímpica. A sensação de vencer foi muito parecida com a medalha de bronze do Mundial e o ouro dos Jogos Pan-Americanos: é indescritível. Chegar a uma Olimpíada sempre foi o meu sonho", disse Milena


Já Talisca Reis começou com uma virada emocionante contra Monica Pimentel, de Aruba, depois de estar perdendo por 4 x 2. Faltando menos de 10 segundos para o fim do combate, ela virou a luta para 7 x 4 e garantiu a vaga na luta decisiva. Contra Victoria Stambauch, contudo, a brasileira acabou sofrendo nos minutos finais. Depois de abrir 3 x 0 no primeiro round, não conseguiu manter o ritmo e foi derrotada por 5 x 4.


Força também no paralímpico


Além das três vagas nos Jogos Olímpicos, o Brasil também garantiu três atletas na estreia do taekwondo nos Jogos Paralímpicos de Tóquio. A campeã mundial Débora Menezes (+58kg), além de Nathan Torquato (-61kg) e Silvana Fernandes (-58kg) serão os representantes nacionais. Débora garantiu vaga pelo ranking mundial, por ser a vice-líder da listagem. Nathan e Silvana conquistaram a vaga no Pré-Olímpico também disputado em Heredia, na Costa Rica.

 

Makuhari Event Hall, palco do taekwondo nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Foto: Tokyo2020


Forma de disputa

Nos Jogos Olímpicos de Tóquio, o taekwondo será disputado em quatro categorias no masculino e outras quatro no feminino. As lutas são disputadas em um tatame montado em formato de octógono, em três rounds de dois minutos, com um minuto de descanso entre cada parcial. O objetivo do esporte é acertar chutes e socos no tronco e na cabeça do oponente. Técnicas mais avançadas, como giros seguidos de chutes na cabeça, valem mais pontos do que golpes mais básicos.


Todos os atletas atuam com protetores na cabeça e no tronco, e a pontuação é anotada por um sistema digital nas vestimentas que detecta o impacto dos golpes. Os juízes posicionados ao lado da área de luta também conferem pontos adicionais aos atletas de acordo com as técnicas utilizadas.


No cronograma olímpico, as disputas do taekwondo serão todas realizadas em dois dias: 25 e 26 de julho. O local será o Makuhari Event Hall, um centro de convenções que ocupa uma área de 210 mil metros quadrados na prefeitura de Chiba. O local também receberá as disputas da esgrima olímpica e do goalball nas Paralimpíadas. Para os eventos do taekwondo, o espaço tem capacidade para dez mil torcedores.

BOLSA ATLETA EM TÓQUIO 2020
» Brasil soma 174 vagas, em 19 modalidades
» Dessas 174, 47 têm nome e sobrenome
» Desse universo, 43 fazem parte do Bolsa Atleta
» Investimento Federal anual nesses 43: R$ 5,62 milhões

TAEKWONDO NO BOLSA ATLETA
Atletas olímpicos:
236 atletas – 130 homens e 106 mulheres
27 na categoria atleta de base
172 na categoria nacional
23 na categoria internacional
1 na categoria olímpico
13 na categoria pódio
Investimento: R$ 4,3 milhões por ano

Atletas paralímpicos:
6 atletas – 4 homens e 2 mulheres
3 na categoria nacional
3 na categoria pódio
Investimento: R$ 441.300 por ano

Gustavo Cunha, rededoesporte.gov.br, com informações do COB, da Confederação Brasileira de Taekwondo e de Tokyo 2020