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Com maior delegação da história, Brasil quer manter hegemonia no Parapan

publicado: 23/08/2019 14h57, última modificação: 02/12/2019 18h47

Com o início oficial dos Jogos Parapan-Americanos de Lima – a cerimônia de abertura está marcada para as 21h desta sexta-feira (23.08), no Estádio Nacional, na capital peruana –, a delegação nacional se empenha na luta para manter a hegemonia na competição, já que liderou o quadro de medalhas nas três últimas edições: Rio 2007, Guadalajara 2011 e Toronto 2015. Para isso, o país terá a maior delegação de sua história: são 315 atletas que vão disputar todas as 17 modalidades programadas.

No total, a delegação brasileira é composta por 512 pessoas, incluindo treinadores, comissão técnica, atletas-guia e equipe de apoio. Desde 1999, os brasileiros conquistaram 1.026 medalhas em Jogos Parapan-Americanos, sendo 445 de ouro, 310 de prata e 271 de bronze. Na última edição, em Toronto 2015, foram 257 pódios: 109 medalhas de ouro, 74 de prata e 74 de bronze. Para 2019, a meta é manter o desempenho, superando a barreira dos 100 ouros.

"A expectativa é grande e muito positiva. Trabalhamos muito para chegar aqui. Esses atletas têm muito merecimento. É a nossa maior delegação da história e a expectativa é de que a gente possa seguir liderando e que o Brasil possa fazer uma grande participação aqui em Lima", disse o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Mizael Conrado.

O secretário especial do Esporte do Ministério da Cidadania, Décio Brasil, que está em Lima para acompanhar de perto os atletas nos primeiros dias de competição, ressaltou que 261 dos 315 atletas da delegação brasileira no Parapan, ou 82,8% do total, são beneficiados pelo Programa Bolsa Atleta do Ministério da Cidadania.

"O Bolsa Atleta é uma ferramenta muito importante para o esporte nacional. É a contribuição que o governo federal faz para que possamos ter representações de alto nível, como foi no Pan, como é agora no Parapan e, se Deus quiser, como vai ser nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio em 2020", projetou.

Décio também lembrou que uma das medidas dos primeiros 100 dias do governo do presidente Jair Bolsonaro foi recompor o orçamento do programa. Em abril, houve um aporte de R$ 70 milhões ao Bolsa Atleta, o que dobrou o número de atletas apoiados pela iniciativa, passando de 3.058 para 6.199, priorizando as categorias de base.

Entre os beneficiados pela lista publicada em abril, 15 estão na delegação brasileira no Parapan. "O Brasil é um dos poucos países que veio com a força máxima para competir em todas as modalidades. O Bolsa Atleta também propiciou isso. Sete atletas da seleção de basquete em cadeira de rodas que estão aqui foram beneficiados pela recomposição do Bolsa Atleta, entre outros nomes, de outras modalidades", frisou o secretário.

O investimento anual nos 261 bolsistas da delegação é de R$ 18,1 milhões. Das 17 modalidades com participação brasileira, 16 contam com bolsistas. Apenas o Futebol de 7, que saiu do programa dos Jogos Paralímpicos, não tem bolsistas. Dos 315 atletas, 291 (92,4%) já receberam Bolsa Atleta em algum momento de suas carreiras.

"O Bolsa Atleta é um marco para o esporte paralímpico. Posso dizer que há um esporte paralímpico antes e um depois do Bolsa. A maior parte desses atletas aqui não teria condições de ter a qualidade de treinamento que têm se não fosse pelo programa. O esporte é cada vez mais competitivo e à medida que a competitividade aumenta, há necessidade de mais recursos para custear alimentação, suplementação, qualidade de treinamento. Então, certamente o Bolsa Atleta é responsável por boa parte dos que estão aqui", disse o presidente do CPB, Mizael Conrado.

Carlos Henrique Garletti, atleta do tiro esportivo, modalidade que vai estrear nos Jogos Parapan-Americanos em Lima, ressaltou que o Bolsa Atleta tem relevância desde as categorias de base até o alto rendimento. "É primordial para que você tenha esse desenvolvimento. Se você quer ter resultado no esporte, é a melhor alternativa que você tem", disse.

"O Bolsa Atleta me ajudou muito em relação à alimentação, a ter uma nutricionista e em relação a tudo na vida de um atleta. O Bolsa Atleta nos proporciona coisas que talvez se a gente não tivesse esse apoio, não conseguiríamos. É muito importante", completou Júlio Cezar Braz, do rúgbi em cadeira de rodas.

Maior edição da história
Os Jogos em Lima ficarão marcados como a maior edição da história do evento. As 17 modalidades reúnem 1.890 atletas, de 33 países. As disputas começaram nesta quinta-feira (22.08), com as partidas do tênis de mesa, e o Parapan segue até 1º de setembro. Três modalidades foram incluídas no programa em Lima: parabadminton, parataekwondo e tiro esportivo.

"Não tenho dúvidas de que esses serão grandes Jogos Parapan-Americanos. Lima tem tudo para bater o recorde de ingressos vendidos numa edição do Parapan e já é responsável por uma mudança de percepção em relação às pessoas com deficiência, não somente na cidade como em todo país", afirmou o presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês), o brasileiro Andrew Parsons.

A hospitalidade do povo peruano foi destacada pelo secretário especial do Esporte, Décio Brasil. "É um povo muito receptivo, fazem questão de se apresentar bem, de demonstrar respeito pelas pessoas. Eles têm um tratamento especial, particularmente com os brasileiros", disse.

Para o embaixador do Brasil no Peru, Rodrigo Soares Baena, a longa tradição de amizade e cooperação entre os países fará com que os atletas brasileiros tenham uma torcida especial no Parapan. "Para nós, é motivo de grande alegria a realização dos Jogos no Peru. Nós temos uma relação estreita e nossa presença aqui é sempre aguardada. Somos muito bem-vindos pelos peruanos, que são pessoas acolhedoras. A expectativa é de uma participação brilhante e tenho certeza de que os peruanos, a exemplo do que fizeram no Pan, serão nossos torcedores, evidentemente depois de seu próprio país", afirmou.

"Há uma energia muito boa e contagiante aqui na capital peruana. A gente está muito feliz por estar aqui e pela maneira como fomos recebidos. Eles fizeram tudo com carinho, atenção e cuidado com os detalhes. Só tenho a elogiar o Comitê Organizador e o povo peruano", completou Mizael Conrado.

Mateus Baeta, de Lima, Peru - Ascom - Ministério da Cidadania