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Compromisso do Rio 2016, Floresta dos Atletas começa a ser plantada no Rio de Janeiro

publicado: 25/09/2019 13h49, última modificação: 02/12/2019 18h47

Um dos compromissos mais simbólicos assumidos pelo Comitê Organizador Rio 2016 durante a cerimônia de abertura dos Jogos Rio 2016, a Floresta dos Atletas começou a ganhar forma nesta quarta-feira (25.09), três anos depois do encerramento do megaevento sediado na capital fluminense.

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, plantou a primeira muda de Pau-Brasil no Parque Radical, em Deodoro, um dos palcos de competições dos Jogos Olímpicos. O evento contou com a presença de diversas autoridades e também do medalhista de prata na ginástica artística Diego Hypolito, que também plantou uma muda de Pau-Brasil. O Governo Federal foi representado pelo diretor de projetos da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania, Celso Perlucio.

 

Diego Hypolito: alegria por ver a Floresta dos Atletas prestes a ganhar forma no Parque Radical, em Deodoro. Foto: Luiz Roberto Magalhães/Ministério da Cidadania

 

À época dos Jogos, os atletas que competiram no Brasil depositaram em tubetes sementes de 207 espécies da Mata Atlântica do Rio de Janeiro para serem plantadas na Floresta dos Atletas. O número de espécies representou cada um dos países que participaram da primeira edição dos Jogos Olímpicos realizada na América do Sul.

“Eu fico muito contente, primeiro pela questão do reflorestamento. É uma questão simbólica visando os Jogos Olímpicos e nos lembrando que nós tivemos os Jogos Olímpicos no Brasil. A medalha que eu conquistei foi quando eu me consagrei e pensar que eu vou fazer parte dessa floresta é muito bom. Acho que toda iniciativa que vem em torno da cidade, como é um reflorestamento, tem um benefício para todos. Saber que aqui teremos mais de 11 mil sementinhas que foram entregues na abertura dos Jogos Olímpicos sendo plantadas, eu inclusive vou plantar uma hoje, é algo que me deixa muito honrado”, ressaltou Diego Hypolito. 

O Rio 2016 foi a primeira Olimpíada a firmar um compromisso ambiental e, no total, a Floresta dos Atletas terá 11.237 árvores, que representam o número de atletas que competiram nas Olimpíadas no Brasil. Além disso, o Parque Radical será a casa do Bosque dos Medalhistas, que terá outras 2.488 árvores, representando os atletas que subiram ao pódio nos Jogos Olímpicos do Rio. Ao todo, serão plantadas 13.725 árvores.

“Não há palavras que possam expressar com exatidão a importância de termos a floresta aqui. Quero dizer que ela faz parte de um projeto muito grande, que é unir a Serra de Madureira até o Maciço da Pena Branca. Queremos que esses biomas voltem a estar unidos, o que será para o Rio de Janeiro o maior de todos os legados”, afirmou Marcelo Crivella.

Em setembro de 2016, a Prefeitura do Rio de Janeiro já havia iniciado formalmente o plantio das 100 primeiras mudas da Floresta dos Atletas no Parque Radical. Aquelas mudas, contudo, eram simbólicas e não haviam sido semeadas pelos milhares de atletas que disputaram os Jogos. Elas foram plantadas para celebrar o Dia da Árvore e, depois disso, o projeto do plantio da Floresta dos Atletas propriamente dita acabou sendo adiado até ser retomado nesta quarta-feira.

Segundo a Prefeitura do Rio de Janeiro, a Floresta dos Atletas será viabilizada sem o uso de recursos públicos. Para investir os cerca de R$ 3,3 milhões necessários para o plantio de todas as mudas da Floresta dos Atletas e do Bosque dos Medalhistas, que ocuparam uma área de cerca de 10 hectares em Deodoro, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente utilizou as chamadas compensações ambientais. Trata-se de um mecanismo legal de contrapartida para que empresas cujas atividades que causem impacto ao meio ambiente compensem os danos plantando árvores em áreas determinadas pela Secretaria.

O prefeito Marcelo Crivella planta a primeira muda de Pau-Brasil na Floresta dos Atletas: Legado olímpico. Foto: Luiz Roberto Magalhães/Ministério da Cidadania

O prefeito Marcelo Crivella planta a primeira muda de Pau-Brasil na Floresta dos Atletas: Legado olímpico. Foto: Luiz Roberto Magalhães/Ministério da Cidadania

 

“Esse foi um compromisso assumido pelo país perante mais de dois bilhões de pessoas que acompanharam ao redor do mundo a cerimônia de abertura dos Jogos Rio 2016”, lembrou Celso Perlucio. “Hoje é um dia marcante para todo o esporte brasileiro com a cerimônia que marcou o início do plantio da Floresta dos Atletas. Isso aqui será um local de muita visitação, porque tem um apelo ecológico, esportivo, cultural e histórico. Ano que vem teremos os Jogos Pan-Americanos Master Rio 2020 e acredito que esses atletas que vão participar vão querer visitar esse local”, prosseguiu o representante do Ministério da Cidadania.

Crescimento exponecial

As espécies da Floresta dos Atletas foram selecionadas de acordo com a ordem de entrada dos atletas na cerimônia de abertura dos Jogos Rio 2016, realizada no Maracanã. As nações foram separadas por ordem alfabética, unindo dessa forma o país à espécie. As exceções foram a Grécia, que abriu, e o Brasil, que encerrou o desfile.

Das 207 espécies selecionadas, 42 possuem algum grau de ameaça de extinção e 92 possuem frutos que atraem a fauna e que podem ser consumidos. Na primeira fase do plantio da Floresta dos Atletas, o Parque Radical vai receber 75 espécies, entre elas mudas de Pau-Brasil, Pau-Ferro, Jequitibá, Aldrago, além de árvores frutíferas como Pitanga, Cambucá e Grumixama.

Desde que os tubetes foram semeados, o cuidado com as espécies ficou por conta da Biovert Florestal e Agrícola. “A Biovert é a responsável por todo o projeto. A ideia da Olimpíada verde foi do Fernando Meirelles. A gente sugeriu a ele que cada país fosse representado por uma espécie do bioma Mata Atlântica do Rio de Janeiro e nós começamos esse trabalho em 2015, selecionando as espécies e colhendo os frutos para conseguir as sementes”, explica Marcelo de Carvalho, sócio-administrador da Biovert.

A área onde será plantada a Floresta dos Atletas: novo cenário dois anos após o plantio de todas as mudas. Foto: Luiz Roberto Magalhães/Ministério da Cidadania

A área onde será plantada a Floresta dos Atletas: novo cenário dois anos após o plantio de todas as mudas. Foto: Luiz Roberto Magalhães/Ministério da Cidadania

 

“Depois da cerimônia de abertura, nós ficamos responsáveis por cuidar das mudas e somos os responsáveis também por plantar e manter a Floresta até junho de 2020, quando vamos apresentar um pequeno documentário contando a história de todo esse processo antes das Olimpíadas de Tóquio. É importante que as pessoas vejam que a gente cumpriu o compromisso assumido em 2016”, prossegue Marcelo.

As sementes, que hoje estão no viveiro da Biovert, no município de Silva Jardim, germinaram e cresceram nos últimos três anos. Algumas espécies já têm dois metros de altura e, com isso, serão necessárias cerca de 30 viagens de caminhão para o transporte de todas as mudas para o Parque Radical. “Em 2016, seriam necessárias três viagens apenas. Mas agora as mudas estão grandes”, explica o representante da Biovert.

Marcelo calcula que depois de plantadas as árvores não devem levar muito tempo para crescer. Todas as mudas serão depositadas em berços que terão meio metro cúbico de substratos ricos em matéria orgânica, preparados especialmente para as árvores da Floresta dos Atletas e do Bosque dos Medalhistas. A Biovert espera concluir todo o plantio até dezembro, mas, segundo a Prefeitura, esse processo pode ser estendido até março, a depender do período das chuvas.

Seja como for, daqui a alguns anos o Parque Radical sofrerá uma enorme transformação em seu cenário. “A partir do segundo ano, o crescimento dessas mudas será exponencial. Daqui a dois anos isso aqui será uma paisagem completamente diferente”, calcula Marcelo de Carvalho.

“Conseguimos assumir um compromisso que não era nosso, era do Comitê Rio 2016. Mas conseguimos isso através da conversa com os órgãos, com a Procuradoria dos municípios e, obviamente, baseado nos pareceres do Tribunal de Contas da União. Falava-se inclusive em estelionato moral da cidade”, ressaltou o secretário Municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Marcelo Queiroz.

“Quando você não tem um responsável, a Prefeitura e o Governo do Estado, todos nós, somos responsáveis. O grande benefício nosso é estar plantando, no local onde foi designado, as 13.725 mudas, de 207 espécies. A Floresta dos Atletas vai fazer parte de um projeto muito maior, que é a Floresta da Zona Oeste. No Parque de Deodoro serão plantados mais ou menos dez hectares. A Floresta da Zona Oeste como um todo chegará a ter entre 220 e 230 hectares. Temos a Floresta dos Atletas, mas não é só isso. Vamos deixar um legado de fato para o meio ambiente da cidade”, continuou o secretário.

Do Rio de Janeiro, Luiz Roberto Magalhães – Ascom – Ministério da Cidadania