Notícias

Notícias

CPB estima até 75 medalhas em Tóquio 2020 durante visita de secretário ao CT Paralímpico

publicado: 30/09/2019 20h22, última modificação: 02/12/2019 18h47

Na pista de atletismo, o velocista Lucas Prado vai ao limite físico e técnico no treino para garantir as chances de brigar pelo ouro no Mundial de Dubai, em novembro. Três pisos abaixo, na área médica, a fisiologista Lorena Contesini e a psicóloga Maria Cristina Nunes Miguel mapeiam diariamente os atletas para definir intensidade de treinos físicos na academia, a possível necessidade de preservar musculaturas para prevenir lesões e o trabalho mental para que todos respondam da melhor forma em situações limite típicas do alto rendimento. Na piscina olímpica, atletas de escolinha dão as primeiras braçadas. Na área do tênis de mesa, Jennyfer Parinos e Guilherme Costa treinam forte para buscar as vagas que faltam em Tóquio. Nos ginásios abertos, a Copa América de Bocha tem a participação da seleção e o monitoramento da equipe de Ciro Winckler, para avaliações de movimento e performance e feedbacks aos atletas em tempo real.

Secretário Décio Brasil visitou as instalações do CT Paralímpico ao lado do presidente do CPB, Mizael Conrado

 

O panorama descrito é apenas uma parte da realidade diária do Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. Um dos principais legados dos Jogos Rio 2016, a estrutura que contou com R$ 187 milhões federais na construção e equipagem recebeu, nesta segunda-feira (30.09), a visita do Secretário Especial do Esporte do Ministério da Cidadania, Décio Brasil.

Ao lado do presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Mizael Conrado, eles percorreram as instalações que, em três anos de trabalho, receberam mais de 16 mil atletas de mais de 90 instituições, clubes e seleções em mais de 500 eventos. Uma estrutura casada com refeitório comandado por nutricionistas especializadas em esporte que serve 25 mil refeições mensais e por um alojamento com capacidade para hospedar 280 pessoas de forma simultânea.

"Embora eu já tivesse vindo aqui em outra oportunidade, não tive como conhecer o espaço como um todo. Hoje vimos todas as possibilidades do CPB na preparação de equipe, na condução de eventos, na parte de inclusão social, com crianças que eles buscam nas comunidades vizinhas e levam para treinar. É um trabalho de referência não só no alto rendimento, mas na inclusão social de crianças com deficiência", afirmou Décio Brasil.

Segundo o presidente do CPB, o espaço tem recebido uma média de 600 crianças em escolinhas das diversas modalidades do programa paralímpico. A ideia da entidade é criar um fluxo que permita alimentar continuamente a formação de atletas para suprir o alto rendimento e garantir a prática esportiva ao maior número possível de crianças e adolescentes com deficiência.

 

 

Campings e fomento

 

Um trabalho paralelo é feito a partir das Paralimpíadas Escolares. No evento, a entidade seleciona 150 atletas com propensão ao alto rendimento e leva para campings, em janeiro e julho, período de férias escolares, para dez dias de trabalho no Centro de Treinamento.

"Esse grupo de crianças vem, fica dez dias, é supervisionado por treinadores da seleção, treina ao lado de medalhistas paralímpicos, passa pelo acompanhamento de nutricionistas e fisiologistas e volta para seu estado com um protocolo de treinamento detalhado. Seis meses depois, eles voltam e passam por novas avaliações para ver se estão cumprindo direitinho e atualizar o que for necessário. É um trabalho de longo prazo. Para o ciclo de 2028 realmente vamos ter toda a pujança da estrutura desse CT em nossos resultados", afirmou Mizael Conrado.

visitaCPB_30setembro2019_abelardomendesjr-3

Centro de Treinamento Paralímpico - Visita do secretário Décio Brasil

 

Descentralização

 

Outra frente de investimento do CPB é na descentralização do treinamento. A ideia da entidade é criar polos regionais para que haja cada vez mais treinadores, árbitros, representantes de área médica e atletas formados com qualidade em todas as regiões do país. Os primeiros 14 polos, segundo Mizael, serão estruturados até o fim de 2019.

"Vamos começar com Manaus (AM), Aracaju (SE), Blumenau (SC) e Goiânia (GO). São centros equipados em parceria com universidades e secretarias de educação dos estados. A ideia é replicar o que fazemos aqui. Em Manaus já temos uma previsão de 300 crianças e adolescentes. Com isso, tenho certeza de que em 2028 vamos brigar entre os cinco melhores do mundo e em 2040 temos potencial para superar a China", comentou Mizael.

Para 2020, ele aponta, a partir dos resultados e projeções da área técnica, que o Brasil tem potencial para conquistar entre 60 e 75 medalhas nos Jogos Paralímpicos. "Esporte não é ciência exata. Depende de ser humano. Estamos falando de alto rendimento. Todos treinam e querem o mesmo. Um só ganha. Vamos com atletas com possibilidade de ganhar essas 75 medalhas, mas sempre há o imponderável", comentou o presidente do CPB. Nos Jogos Rio 2016, a delegação nacional conquistou 72 medalhas, 14 delas de ouro.

"A gestão que eles realizam lá consegue aplicar bem os recursos públicos das loterias. Vemos ali possibilidades reais de termos um resultado expressivo em 2020, pautado até pelo que tivemos no Parapan de Lima", afirmou Décio Brasil. No Parapan de Lima, a delegação nacional teve a melhor performance de sua história, com 308 pódios, (124 ouro, 99 pratas e 85 bronzes). Mais de 93% dos pódios tiveram a digital do programa Bolsa Atleta, da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania. "Fica muito clara a importância do Bolsa Atleta na realidade do alto rendimento", completou o secretário. "Foi uma visita dentro de um clima de cordialidade, amizade, de respeito pelo trabalho que nós e eles fazem. Uma aproximação entre a secretaria e um de seus entes esportivos mais importantes", definiu o secretário Décio Brasil.

 

Atrás do recorde

 

Lucas Prado, o velocista citado no início da reportagem, corre atrás de dois sonhos em Dubai, nos Emirados Árabes, em novembro. Ele tenta ratificar o ouro que conquistou no Parapan de Lima, no Peru, e reaver o recorde mundial na Classe T11, para deficientes visuais, que já foi dele mas hoje pertence ao americano David Brown, atual campeão paralímpico da prova.

"Quero que ele esteja bem lá, para conseguir vencê-lo na pista sem que ninguém possa dar qualquer desculpa. No Mundial passado fiquei fora porque me machuquei. Agora quero ir atrás do ouro e do recorde mundial, que hoje é de 10s92. Quero correr 10s89", disse o atleta matogrossense de 34 anos anos, que já tem 13 anos de atletismo e coleciona cinco medalhas paralímpicas, sendo três ouros nos Jogos de Pequim, em 2008 (100m, 200m e 400m) e duas pratas em Londres, 2012 (100m e 400m).

 

Gustavo Cunha - Ministério da Cidadania