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Em período de Copa do Mundo, jogadoras e técnicos debatem realidade do futebol feminino

publicado: 28/06/2019 17h01, última modificação: 02/12/2019 18h47

A Copa do Mundo de Futebol Feminino 2019, disputada na França, vai conhecer a equipe campeã no próximo domingo (07.07). O torneio nem terminou, mas já deixa marcas na história. O confronto entre a Seleção Brasileira e equipe anfitriã, quando o Brasil foi superado por 2 x 1, bateu o recorde de maior audiência da história das Copas do Mundo Feminina, com 35,2 milhões de pessoas assistindo a partida válida pelas oitavas de final. Aproveitando o momento único, a Secretaria Especial do Esporte promoveu, nesta sexta-feira (28.06), a primeira edição do evento “Futebol e Debate”, que discutiu os desafios do futebol feminino no país. 

 

No Brasil, a modalidade é marcada por histórias anônimas e famosas de jogadoras que tiveram que driblar as dificuldades e os preconceitos em busca do sonho de fortalecer e difundir o esporte. Durante todo o dia, a treinadora do Santos (SP), Emily Lima, a ex-goleira da Seleção Brasileira Thais Picarte, a jogadora do Málaga (Espanha) Mayara Bordin e o ex-técnico da Seleção Feminina René Simões trocaram experiências, ideias e sugestões para fortalecer, melhorar e formular propostas para aprimorar as condições de trabalho das atletas. 
 
Durante a abertura do debate, o secretário nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor, Ronaldo Lima, ressaltou que a proposta do seminário é ventilar ideias, pois o governo federal está dedicado a melhorar o futebol. “Estamos prontos e maduros para possíveis mudanças que o futebol brasileiro requer. Escutamos a mídia e estamos ouvindo a voz dos torcedores. Atualmente, existe uma preocupação muito grande sobre o futuro do nosso futebol”, revelou. 
 
Segundo o secretário especial adjunto do Esporte, Marco Aurélio de Araújo, o desafio do governo é implementar políticas públicas que possam alavancar a modalidade. “Nós temos as ferramentas e uma oportunidade ímpar de aprimorar o futebol feminino”, disse. “Temos a oportunidade de levantar problemas e vocês de apontar as possíveis soluções. Não vamos resolver os problemas do futebol feminino hoje, mas teremos uma luz de qual caminho os gestores do governo devem seguir”, completou.
 
Painéis 
"O Futebol Feminino no tempo de Copa do Mundo” foi o tema do primeiro painel. Mediado pelo treinador e assessor especial da Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor, Kleiton Lima, a técnica Emily Lima e jogadora Mayara Bordin falaram sobre as experiências adquiridas durante as carreiras.
“A gente sempre fala do Brasil como sendo um país de riquezas naturais. Eu sempre coloquei o futebol feminino como uma das principais riquezas naturais do nosso país. O Futebol em Debate, trazendo como tema os desafios do futebol feminino, vai engrandecer ainda mais o momento em que estamos vivendo. É o momento propício para debater, porque o público brasileiro tem a admiração e o respeito pela modalidade, além das autoridades terem se levantado para apoiar”, analisou Kleiton Lima. 
 
Na oportunidade, Mayara Bordin falou sobre o papel do marketing esportivo no processo de evolução do esporte. A jogadora que atua no clube espanhol acredita que o futebol feminino é um produto de marketing e os clubes são as empresas que têm o papel de potencializar esse produto. “Venho estudando o marketing há bastante tempo. O papel dele é de criar impacto nas pessoas. Assim, gerar emoção, sentimento e atenção do público. Temos que tentar fazer com que o futebol, ou os produtos do esporte, chamem a atenção das pessoas”, explicou.      
 
Para a técnica Emily Lima, o crescimento da modalidade está ligado às diferentes iniciativas e experiências pioneiras que estão sendo feitas no território nacional. “Faço parte do time de uma grande empresa de material esportivo e estamos criando projetos para que meninas e mulheres possam jogar. Temos duas sessões de treinamentos, de 1h30min, com 100 meninas a cada noite semanalmente em São Paulo. Mensalmente, oferecemos treinos para 200 mulheres no estádio do Pacaembu”, contou.     
 
O segundo painel discutiu o tema: os desafios do futebol feminino no Brasil. A ex-goleira da Seleção Brasileira Thais Picarte começou a apresentação falando sobre a sua trajetória, a falta de reconhecimento profissional e a carência de garantias de direitos trabalhistas. “O futebol feminino não era reconhecido. Muitas atletas, quando o clube encerrava seus trabalhos, não tinham nenhum direito assegurado. Essa foi e é a realidade de muitas mulheres”, lamentou. Segundo a atleta, ao longo dos anos a situação foi se adequando e, neste ano, com a Copa do Mundo, foi possível perceber o interesse e a visibilidade que a Seleção Feminina de Futebol recebeu. 
“O esporte ensina muito, com valores que não se aprende em outro lugar. E é uma das ferramentas que diminui os problemas sociais. É preciso investir no esporte e a modalidade que tem tudo para ser expoente no Brasil”, afirmou. Para Thais, investir no esporte de base é de suma importância. 
 
O ex-técnico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, René Simões, deu sequência ao painel. Simões chamou a atenção para o fomento ao esporte nas séries iniciais da fase escolar. “Isso faz toda a diferença na vida de um jovem”, afirmou. “É necessário adotar políticas públicas que unam a educação e ao esporte. É dessa forma que podemos mudar o país”. 
 
René Simões fez também algumas sugestões para enfrentar os desafios da modalidade, como combater o preconceito, investir em capacitação para treinadoras de equipes de futebol para mulheres e fortalecimento de campeonatos escolares incluindo a modalidade. “Talvez vocês não usufruam do que estão fazendo hoje, mas serão lembradas como as precursoras, aquelas que deram início à valorização do futebol para mulheres”, finalizou. 
Breno Barros e Jéssica Barz
Ascom – Ministério da Cidadania