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Embora São Paulo leve o título mais uma vez, há grande pulverização de protagonistas nas Paralimpíadas Escolares

publicado: 23/11/2019 13h35, última modificação: 18/12/2019 11h17

Com 128 inscritos e representantes em quase todas as modalidades, São Paulo mais uma vez levou o título das Paralimpíadas Escolares, encerradas nesta sexta-feira, 22.11, na capital paulista. Os 583 pontos que deram aos anfitriões o oitavo título da competição, o quinto consecutivo, escondem, contudo, uma profusão de protagonistas que quebram o paradigma dessa dominância irrestrita. Nas modalidades coletivas, por exemplo, o único ouro dos paulistas foi no vôlei sentado misto.

 

No basquete 3 x 3 em cadeira de rodas, os protagonistas, pelo terceiro ano consecutivo, vêm da Região Centro-Oeste. Depois de vencer em 2017 e 2018 com a camisa do Distrito Federal, João Vitor comandou desta vez a seleção de Goiás para chegar a um tricampeonato emocionante sobre seu ex-time, da capital federal. A decisão terminou em 16 x 15, definida na prorrogação com a cesta de ouro. O terceiro lugar ficou com a equipe do Paraná. "Isso demonstra a força do basquete que desenvolvemos no Centro-Oeste", afirmou o técnico de Goiás, André Barbosa, que havia sido o comandante do DF nos títulos de 2017 e 2018.

 

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Festa da equipe potiguar no goaball masculino: bicampeonato para o Rio Grande do Norte. Foto: Gustavo Cunha/ Min. Cidadania

 

No futebol de cinco, para deficientes visuais, o pódio foi 100% composto por equipes do Nordeste. O título ficou com a equipe de Paraíba, que venceu a seleção do Maranhão por 4 x 1 na decisão. O terceiro lugar foi ocupado pelo Ceará. Aos gritos de "Uh, Uh é o Nordeste", os atletas celebraram no pódio a consistência do trabalho realizado na região.

 

No goalball, São Paulo foi surpreendida nas duas finais. Com atletas que já integram a seleção brasileira de jovens, o time masculino foi superado pelo Rio Grande do Norte, que venceu a decisão por 12 x 8 e chegou ao bicampeonato do torneio. "Foi emocionante. Muito difícil, principalmente por saber que lá do outro lado tinha três atletas da seleção. Foi um jogo emocionante, pegado. Nosso diferencial foi a defesa e a força", afirmou Sharlley Silva, de 17 anos, um dos atletas da equipe potiguar. O Rio Grande do Norte ainda teve o goleador da competição, Lucas Araújo, que anotou 31 gols na competição.

 

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Equipe da Paraíba foi campeã no futebol de cinco, para deficientes visuais. Foto: Gustavo Cunha/ Min. Cidadania

 

No feminino, a vitória ficou para a equipe de Santa Catarina, que superou as paulistas na partida decisiva por 3 x 1. O time que treina em Blumenau foi capitaneado por Sinara Pedroso, destaque da equipe. Sinara iniciou no esporte paralímpico pelo atletismo e começou a trabalhar com o goalball em 2016. "Conquistei 27 medalhas de ouro no atletismo, em provas de 100m a 400m e no salto em distância. Desde 2016 passei para o goalball e agora chegou nossa vez", disse Sinara, hoje com 17 anos, que tem apenas cinco por cento da vista direita, efeito de uma deficiência visual congênita.

 

No futebol de sete, modalidade voltada para atletas com paralisia cerebral, o título ficou com a equipe do Distrito Federal, que superou a seleção de São Paulo numa vitória emocionante, por 5 x 4. A medalha de bronze ficou para a equipe do Pará. Um dos destaques da modalidade em 2019 foi a presença de atletas femininas inscritas.

 

O vôlei sentado misto foi o único esporte coletivo em que São Paulo conquistou o ouro, numa final vencida por 2 sets a 0 contra a equipe do Espírito Santo, em parciais de 25/20 e 25/20. A medalha de bronze ficou com a equipe de Santa Catarina.

 

Novos valores

 

Para Alberto Martins da Costa, diretor técnico do CPB desde 2017, a edição de 2019 das Paralimpíadas Escolares mostrou uma efervescência de novos valores de várias regiões do país. "Fizemos 458 novas classificações funcionais durante o evento. Isso quer dizer 458 novos atletas no esporte escolar paralímpico. É motivo de grande satisfação. Um dos nossos objetivos do planejamento estratégico é aumentar o número de jovens no esporte paralímpico", afirmou.

 

Para ele, outro aspecto fundamental do evento é perceber o resultado de capacitações feitas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro em vários estados. "Já capacitamos mais de 3 mil pessoas presencialmente. Temos 16 mil inscritos no ensino a distância. A meta é chegarmos a 100 mil até 2025. São novos técnicos, novos professores. Acredito que esse número de crianças novas já é fruto dessa capacitação. Os professores nas escolas estão começando a trabalhar o esporte paralímpico", comentou.

 

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Gustavo Cunha - Ascom - Ministério da Cidadania