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Solidariedade

Entidades esportivas e empresas se unem em projetos solidários para combater a crise da COVID-19

publicado: 06/05/2020 18h26, última modificação: 06/05/2020 18h42
Instituições que captam recursos para projetos via Lei de Incentivo promovem ações com parceiros apoiadores e levam esperança a milhares de pessoas em meio à pandemia do coronavírus

Diante dos efeitos econômicos e de saúde provocados pela pandemia da COVID-19, a solidariedade tem conquistado ainda mais espaço em diversos setores da sociedade brasileira. No meio esportivo isso não é diferente.  Em várias regiões do país, atletas, associações esportivas, ONGs, institutos e organizações têm se unido a patrocinadores e apoiadores e desenvolvido ações para ajudar famílias atingidas pela crise sanitária. 

 

Lei de Incentivo ao Esporte – instrumento federal que ao longo dos anos permitiu que várias instituições construíssem uma rede de relacionamento sólida com empresas que apoiam centenas de projetos em todo o país – tem ajudado a pavimentar o caminho para que várias empresas, mesmo diante da crise econômica, apoiem os projetos solidários em meio à pandemia. 

O cantor Buchecha foi um dos protagonistas em ação social no Rio de Janeiro. Foto: divulgação

 

“Todos os brasileiros estão empenhados para que possamos superar o quanto antes essa crise. Sabemos como ela tem afetado a vida de milhões de pessoas e um dos caminhos para amenizar os problemas são esses projetos que várias instituições ligadas ao esporte estão desenvolvendo por todo o país”, afirma o secretário Especial do Esporte do Ministério da Cidadania, Marcelo Magalhães. 

 

“A Lei de Incentivo ao Esporte construiu uma relação entre as instituições e os apoiadores que é importante neste momento, porque representa um vínculo de respeito e confiança entre as partes e isso facilita muito o apoio das empresas a essas ações”, prossegue o secretário. 

 

 

 

Craque do Amanhã 

 

No Rio de Janeiro, o Projeto Craque do Amanhã – que utiliza o futebol como base para o desenvolvimento físico, psicológico e social de jovens de oito a 17 anos, e que tem como padrinhos a atriz Juliana Paes e os jogadores de futebol Ibson, Vagner Love e Paulo Henrique Ganso – distribuiu, no fim de março, 500 cestas de alimentos e kits de higiene e de limpeza para jovens matriculados no projeto e para famílias do entorno das duas unidades localizadas em São Gonçalo. 

 

A ação contou com a participação do cantor Buchecha e foi a segunda promovida no mês de abril pelo Craque do Amanhã. No último dia 10 o projeto já havia distribuído nove toneladas de alimentos. As doações foram feitas em horários agendados para que se evitasse aglomeração e, além do uso de máscaras por parte da equipe envolvida nas entregas, houve higienização com álcool em gel do kits e das cestas. 

 

"Estamos muito felizes por poder levar um pouco mais de dignidade e principalmente alimentos para essas famílias. Nosso projeto atinge, direta e indiretamente, já que estamos tratando também das famílias desses jovens, duas mil pessoas. Fizemos um levantamento que apontou que 80% dessas famílias ganham no máximo um salário mínimo e meio. Então são pessoas que precisam muito desse apoio”, afirma Felipe Soares, gestor do projeto Craque do Amanhã. 

Instituto Tênis distribuiu mais de 13 toneladas de alimentos a aproximadamente 1.500 famílias. Foto: Divulgação

 

Instituto Tênis 

 

Outra ação foi realizada pelo Instituto Tênis, que acionou diversas empresas parceiras e arrecadou e distribuiu, em abril, mais de 13 toneladas de alimentos a aproximadamente 1.500 famílias de São Paulo, Fortaleza, Recife e Porto Alegre. Segundo a instituição, a iniciativa deve se repetir neste mês de maio em outras cidades. 

 

"Por conta da Lei de Incentivo ao Esporte, o Instituto Tênis conseguiu viabilizar um projeto de extensão nacional, o Projeto Massificação Maria Esther Bueno, que possibilita a formação de cidadãos por meio do esporte, no caso o tênis”, explica Raphael Barone, diretor-executivo do Instituto Tênis. 

 

“O projeto leva o tênis para escolas públicas de diversas regiões do país. Esse trabalho nos permitiu estar próximos de comunidades que foram duramente afetadas pela pandemia. E, justamente por termos essa rede de relacionamento e contato direto com as comunidades, conseguimos fazer parcerias com empresas que têm condição e querem ajudar. Posso afirmar que o esporte traz vários benefícios para as pessoas, mas essa ação transcende o esporte. O impacto é em toda a sociedade", prossegue Barone. 

 

Olga Kos 

 

Fundado em 2007, o Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural (IOK) é uma associação sem fins econômicos com sede em São Paulo, que desenvolve projetos artísticos e esportivos aprovados em leis de incentivo fiscal, para atender, prioritariamente, crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual. 

 

Por meio de uma rede que contou com diversos parceiros patrocinadores do instituto, o IOK já arrecadou e distribuiu mais de 1.500 cestas básicas a famílias atendidas pelos projetos esportivos e culturais mantidos pela entidade e nos próximos dois meses quase duas mil cestas ainda serão entregues. Outra ação, voltada para distribuição de kits de higiene, já beneficiou mais de mil participantes. 

 

“Em 2009, quando começamos nossos projetos, tínhamos 100 participantes”, lembra Wolf Kos, presidente do IOK. “A Lei de Incentivo proporcionou um crescimento do projeto e hoje temos mais de mil pessoas beneficiadas. Desde 2009 temos mantido uma relação com os mesmos patrocinadores e isso facilitou esse engajamento e tornou possível que essas ações tivessem sucesso. Nesse momento, em que nossas oficinas estão paradas devido à quarentena, é uma forma de continuarmos apoiando as pessoas que são beneficiadas pelo instituto”. 

 

 

Esporte & Educação 

 

Fundado em 2001 e presidido pela ex-jogadora de vôlei Ana Moser, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996, o Instituto de Esporte & Educação (IEE), outro projeto viabilizado com recursos captados via Lei de Incentivo ao Esporte, também está empenhado em ajudar. Para isso, o IEE lançou a campanha “Uma Rede contra o Vírus”, que já arrecadou cerca de R$ 300 mil para a compra de cestas básicas e itens de higiene. 

 

O IEE desenvolve diversos projetos em comunidades de baixa renda, levando educação por meio do esporte. Atualmente, o instituto atende a cerca de 5 mil alunos, entre quatro e 18 anos, em São Paulo, na zona sul, zona leste e Heliópolis, em Carapicuiba, Osasco, Embu das Artes, e São Sebastião, além de em Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e no Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. 

 

“O Instituto Esporte & Educação, nessa época de pandemia, está arrecadando recursos de pessoas físicas, através do site www.iee.abraceumacausa.com.br, e também diretamente com empresas com as quais a gente se relaciona e que patrocinam o Instituto, inclusive pela Lei de Incentivo”, conta Ana Moser. “São 5 mil famílias que estamos buscando apoiar com cestas básicas e itens de higiene e limpeza. Então, seriam precisos cerca de R$ 400 mil por mês, considerando R$ 80 por cada cesta e mais o kit. Com um pouco menos de um mês de campanha a gente já arrecadou mais de R$ 300 mil. Ainda falta bastante, mas temos visto que são muitas instituições se mobilizando para apoiar os seus beneficiários diretos”, continua a medalhista olímpica. 


Caio Bonfim durante Live Solidária: 21km e 1.200 quilos de alimentos arrecadados. Foto: Divulgação

 

Marcha solidária  

 

E não são apenas instituições que têm se mobilizado em meio à pandemia. No feriado de 1º de maio, o brasiliense Caio Bonfim, quarto lugar na marcha atlética nas Olimpíadas Rio 2016 e medalha de bronze no Mundial de Londres 2017, promoveu uma Live solidária com o objetivo de arrecadar doações de alimentos, produtos de higiene e limpeza e dinheiro para ajudar instituições de caridade de Sobradinho, distante cerca de 30 quilômetros de Brasília, e da região em meio à pandemia da COVID-19. 

 

Durante a Live, Caio marchou 21km em uma esteira e, enquanto marchava, dava depoimentos e respondia a perguntas das pessoas. Ao final da iniciativa, após ter percorrido os 21km em 1h33min31 de marcha, ele havia arrecadado 1.200 quilos de alimentos e R$ 5 mil em dinheiro. "Nesse momento de crise é importante a gente unir forças e essa iniciativa é para a gente ajudar, de alguma forma, mesmo no isolamento", diz o atleta, integrante da categoria Pódio, a mais alta do programa Bolsa Atleta, da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania.  

  

Luiz Roberto Magalhães - Ascom - Ministério da Cidadania, com informações da Agência Brasil