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Estudo avalia abrangência e desafios de projetos que promovem esporte e lazer para pessoas com deficiência no Espírito Santo

publicado: 11/09/2019 09h46, última modificação: 02/12/2019 18h47

Ações que fomentam o esporte e o lazer para pessoas com deficiência contribuem para o exercício de uma cidadania ativa e promovem inclusão social. Com esse olhar, a professora Maria das Graças de Sá, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), coordena uma pesquisa com a missão de analisar projetos esportivos desenvolvidos em seu estado para conhecer e compreender como são operacionalizadas políticas públicas para esse setor e mapear iniciativas inclusivas.

“Posso dizer que percebemos que existem barreiras a serem vencidas na estruturação de políticas públicas de esporte e lazer para os capixabas com deficiência. Percebemos que boa parte dos profissionais que atuam com esse público trabalha de forma voluntária. A principal barreira é no âmbito da legitimação profissional”, afirma a pesquisadora. Maria das Graças é professora de graduação e pós-graduação da UFES, com pós-doutorado em educação especial. Ela coordena o laboratório de educação física, que oferece prática esportiva e de lazer a pessoas com autismo, deficiência intelectual, cegueira e baixa visão.

Uma das frentes da investigação para se chegar a um diagnóstico foi feita a partir de um grupo focal com 13 pessoas. Paralelamente, o estudo voltou o foco para representações sobre o esporte e o lazer para pessoas com deficiência a partir de agentes sociais e gestores públicos. Durante a análise das iniciativas disponíveis em 2016, foi identificada a necessidade de garantir a execução de projetos de médio e longo prazo. Para isso, os pesquisadores apontam para a necessidade de fortalecimento de uma política que garanta a sequência dos projetos que atendem pessoas com deficiência.

“As instituições precisam valorizar a formação dos profissionais do ponto de vista da graduação continuada. Os profissionais envolvidos na política precisam sair da informalidade e ter reconhecimento, inclusive trabalhista e previdenciário. Em geral, a gente não trabalha com política de Estado, mas política de governos específicos, voltadas para ações pontuais. Para garantir o direito constitucional e universal ao esporte e lazer é necessário que existam projetos de médio e longo prazo”, diz. 

A professora ressalta que o Espírito Santo já revelou diferentes atletas paralímpicos no cenário nacional, a partir de iniciativas que buscavam promover o esporte, o lazer e a socialização das pessoas com diferentes tipos de deficiência. “O professor Leonardo Medina é exemplo de pessoa que atua de forma isolada para formar atletas de natação. Até hoje ele atua de forma voluntária em um clube, mesmo com atletas conquistando pódios internacionais”, aponta.

“Uma coisa é ter acesso ao esporte de lazer e outra é ter acesso ao esporte de alto rendimento. Temos que garantir o acesso ao direito universal à prática esportiva para todo o público. Se os projetos forem organizados e estruturados para médio a longo prazo, podem surgir grandes atletas paralímpicos. Com informalidade, surgem atletas, mas, não resultam de políticas públicas”.

O estudo é realizado por instituições de ensino superior ligadas à Rede Cedes (Centro de Pesquisa em Políticas Públicas de Esporte e Lazer), da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania. A rede favorece a pesquisa e a socialização do conhecimento e contribui para que o esporte e o lazer sejam tratados como políticas e direitos de todos.

Ciências do Esporte em debate

A relação entre estudos científicos e a prática esportiva terá um espaço de debates e compartilhamento de ideias na semana que vem, em Natal (RN). A capital potiguar receberá o XXI Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte (Conbrace) e o VIII Congresso Internacional de Ciências do Esporte (Conice), de 16 a 20 de setembro. O Ministério da Cidadania é um dos apoiadores do evento.

Breno Barros - Ascom - Ministério da Cidadania