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Grand Slam de Judô: todos os 17 medalhistas brasileiros recebem a Bolsa Atleta

publicado: 09/10/2019 18h14, última modificação: 02/12/2019 18h47

Encerrado na última terça-feira (08.10), o Grand Slam de Judô em Brasília marcou o retorno do torneio ao país após uma lacuna de sete anos. Entre 2009 e 2012, as quatro edições realizadas no Rio de Janeiro somaram aos brasileiros um total de 61 medalhas, sendo 11 ouros, 19 pratas e 31 bronzes. Desta vez, a seleção brasileira deixou os tatames com a conquista de 17 medalhas, todas faturadas por judocas contemplados pelo programa Bolsa Atleta, da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania.

O investimento total nos bolsistas é de mais de R$ 1,2 milhão ao ano. Dos 17, oito foram atendidos pela mais alta categoria, a Pódio, neste ano: Eric Takabatake (60kg), Daniel Cargnin (66kg), David Moura (+100kg), Rafaela Silva (57kg), Ketleyn Quadros (63kg), Maria Portela (70kg), Maria Suelen Altheman (+78kg) e Beatriz Souza (+78kg). Além disso, dos 56 convocados para a competição – já que o Brasil, enquanto país-sede, podia inscrever quatro atletas por categoria –, 36 fazem parte do programa, resultando em um aporte mensal de R$ 133.275 e anual de quase R$ 1,6 milhão.

Suelen e Bia: briga direta pela vaga olímpica no pesado feminino. Foto: Roberto Castro / rededoesporte.gov.br
Os recursos federais ajudaram ainda na própria realização do evento, que recebeu 316 atletas (176 homens e 140 mulheres), de 55 países. Por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) captou R$ 2 milhões, enquanto outros R$ 3 milhões resultaram de emendas parlamentares. “Esse Grand Slam traz um significado muito grande do desenvolvimento esportivo que nós estamos implementando junto com as confederações e a Secretaria do Esporte”, destaca o secretário especial do Esporte, Décio Brasil.

Os quatro ouros, as nove pratas e os quatro bronzes da seleção brasileira fizeram com que o país encerrasse a competição em casa na liderança do quadro geral de medalhas. Na sequência aparecem Japão (2 ouros e 2 bronzes), Grã-Bretanha (1 ouro, 1 prata e 2 bronzes), Cuba (1 ouro, 1 prata e 1 bronze) e Itália (1 ouro e 1 prata), na lista dos cinco primeiros colocados.

Apesar do resultado ter ficado distante das 34 medalhas que o Brasil conquistou na edição do Rio de Janeiro em 2012, melhor resultado da equipe na história do evento, os pódios alcançados na capital federal foram comemorados pela comissão técnica. “Não dá para comparar o que foi lá e o que é aqui. O nível dos atletas que lá estavam era bem fraco. Hoje a competição estava muito forte”, afirma o gestor de Alto Rendimento da CBJ, Ney Wilson, ressaltando a participação de medalhistas olímpicos e mundiais. “Eu digo que as 17 medalhas conquistadas aqui foram muito superiores às 34 de lá”, reforça.

Além disso, nas outras quatro participações em etapas do Grand Slam neste ano, os judocas conquistaram, ao todo, 14 medalhas. “Com este evento ganhamos mais medalhas do que em todo o ano. Isso, em uma briga pela vaga olímpica que é bastante acirrada, alavanca bastante os nossos atletas”, destaca o dirigente.

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Ranking atualizado
O Grand Slam é o terceiro evento a distribuir a maior pontuação aos atletas na corrida pela classificação olímpica, que será definida em maio do ano que vem. Foram mil pontos ao campeão de cada categoria, uma soma especialmente relevante nos casos em que mais de um brasileiro disputam, ponto a ponto, a soberania no ranking mundial. A listagem da Federação Internacional de Judô (IJF, na sigla em inglês) foi atualizada logo após o evento em Brasília.

Com a inédita vitória em cima de Maria Suelen Altheman, na final do pesado feminino, Beatriz Souza subiu uma posição e agora é a sétima do ranking, enquanto Suelen segue em terceiro. Uma rivalidade vista também entre David Moura e Rafael Silva (+100kg), que já haviam travado um duelo parecido na classificação para os Jogos do Rio. Vencendo Baby na semifinal em Brasília e terminando com a prata, depois de perder para o francês Teddy Riner na decisão, David também subiu um degrau e agora é o quinto do mundo, enquanto Rafael continua em quarto.

“A vaga olímpica ainda não está consolidada em nenhuma categoria”, alerta Ney Wilson. “A dificuldade vai ser para a gente, para poder selecionar quem vai aos Jogos Olímpicos. Mas isso é sempre bom porque, quem sair, sai como candidato a uma medalha olímpica”, aposta.

O ouro de Daniel Cargnin (66kg) também o fortalece na categoria, agora em 5º lugar. Representante do país no Rio 2016, Charles Chibana é o 34º. Também campeã em Brasília, Ketleyn Quadros (63kg) deu um importante salto e passou do 31º para o 18º lugar, superando Alexia Castilhos, que era a 28ª colocada e agora é a 20ª. A evolução mais impressionante, contudo, talvez seja a de Allan Kuwabara (60kg), que conquistou o ouro em seu primeiro Grand Slam e passou da 202ª colocação para a 45ª. Ao vencer a campeã olímpica Rafaela Silva (57kg) e terminar com a prata, Keteleyn Nascimento subiu 74 posições e agora é a 53ª da categoria. Resultados que reforçam a confiança na renovação da seleção.

“Nós nos preocupamos bastante com esse processo de renovação porque a gente tem uma geração muito vencedora, com muitos resultados tanto no feminino quanto no masculino. O masculino tem uma lacuna que está começando a recompor e mostrou aqui que vem bem”, analisa o gestor, salientando que todos os judocas que competirão no Mundial Júnior de Marrakech, entre os próximos dias 16 e 19, disputaram o Grand Slam de Brasília. “Com certeza eles farão um belo Campeonato Mundial Júnior. Acho que eles saem daqui fortalecidos, com uma cabeça diferente”, acredita Ney Wilson.

 

Ana Cláudia Felizola – rededoesporte.gov.br