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EDUCAÇÃO E INCLUSÃO

Grupo de trabalho estuda modelo para incluir o xadrez na grade curricular de escolas públicas

publicado: 31/01/2020 13h07, última modificação: 31/01/2020 16h55
Encontro promovido pela Secretaria de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social teve a presença de diretores e professores de instituições que já contam com a modalidade

Quando Luiz Eduardo Dorneles teve o primeiro contato com o xadrez, em uma escola de altas habilidades da rede pública do Distrito Federal, seria difícil mensurar as transformações que a modalidade proporcionaria para a vida dele nos últimos três anos. Com cegueira total desde o nascimento, mas com grande destreza com cada peça do tabuleiro, Luiz carrega consigo uma bandeira que vai além do título de campeão brasileiro juvenil, ainda aos 13 anos.

 

“Um dos grandes momentos que vi no xadrez na vida dele foi em uma competição em Blumenau. Ele estava jogando no meio de 600 crianças, só ele de cego, e eu percebi que, independentemente do pódio, ele leva a bandeira da inclusão. Naquele momento eu esqueci que meu filho era deficiente”, contou, emocionada, Janaína Fonseca, mãe de Luiz Eduardo. “O xadrez proporciona a inclusão não só da pessoa com deficiência. Ele é aluno de uma escola pública e lá talvez existam muitos enxadristas em potencial, mas que não têm oportunidade”, completou.

 

É com o objetivo de promover o xadrez como uma ferramenta pedagógica e de inclusão social que a Secretaria Nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social (Snelis) do Ministério da Cidadania está iniciando um grupo de trabalho junto às escolas do Distrito Federal. Nesta quinta-feira (30.01), um primeiro encontro foi realizado com diretores e professores de instituições privadas que já oferecem a modalidade aos alunos.

 

Grupo de trabalho partirá da experiência de escolas privadas para aplicar o xadrez na rede pública de ensino. Foto: Ana Cláudia Felizola/Ministério da Cidadania

 

“A gente sabe que algumas instituições privadas já têm o xadrez há muito tempo, com um modelo experimentado e as arestas aparadas pelo caminho, então elas têm muito a contribuir”, explicou Claudio Sato, coordenador-geral da Snelis, que apresentou aos presentes parte dos programas desenvolvidos pela Secretaria Especial do Esporte, incentivando a prática esportiva nas escolas. “Estamos acolhendo ideias e sugestões, a partir dos modelos já implantados nos colégios, para isso nos dar subsídios para a definição das diretrizes do nosso plano de trabalho”, acrescentou.

 

Segundo ele, a intenção é que, progressivamente, o xadrez seja inserido na grade curricular da rede pública de todo o país, em uma parceria com o Ministério da Educação. "O foco é a educação. É promover o xadrez como ferramenta pedagógica, para que ele possa ser usado para melhorar o aprendizado de todas as matérias", destacou Claudio Sato, enumerando ainda outros benefícios da prática. "O xadrez desenvolve habilidades como concentração, respeito às regras, planejamento, tomada de decisões, saber agir sob pressão, lidar com a derrota. O xadrez imita a vida. Em algum momento a vida vai te colocar em xeque. E, além de tudo, é divertido. É uma ótima ferramenta para usarmos nas escolas. Eu digo que o xadrez é transformador", definiu.

 

Foto: Ana Cláudia Felizola/Ministério da Cidadania

 

Para o presidente da Federação Brasiliense de Xadrez, Raimundo Félix, o aluno que praticar o xadrez também verá os benefícios das outras disciplinas da escola. “Quando fazemos esporte de alto rendimento físico, vamos à academia para dar força aos músculos. O xadrez dá força ao cérebro”, comparou. “Se essa criança se tornar um grande jogador, posso assegurar que ela não vai dar trabalho nenhum nas outras disciplinas”, completou.

 

Além de ser um esporte considerado de baixo custo, o xadrez é uma modalidade que pode ser praticada em qualquer faixa etária e por pessoas com deficiências físicas, jogando em condições de igualdade. A exemplo disso, em dezembro do ano passado, Brasília sediou a etapa final da Copa Brasil de Xadrez para Deficientes Visuais.

 

“Quando trouxermos o xadrez para o holofote, muita gente vai querer jogar, e muitas crianças que não têm acesso vão perceber que isso também pode ser feito por elas. Nosso sonho é levar o jogo para o maior número de crianças do país”, afirmou Clemente Mieznikowski, coordenador-geral de Lazer e Inclusão Social.

 

Ana Cláudia Felizola – Ministério da Cidadania