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Paralimpíadas Escolares 2019

No duelo que opôs atletas bicampeões, Goiás bate o DF e leva o título do basquete 3 x 3 nas Paralimpíadas Escolares

publicado: 22/11/2019 20h01, última modificação: 18/12/2019 11h14

Elias e João Vitor bem que avisaram. A final do basquete 3 x 3 em cadeira de rodas nas Paralimpíadas Escolares 2019 seria resolvida no detalhe, na consistência de quem errasse menos e fizesse uma defesa melhor. A decisão que opôs os dois bicampeões como parceiros pelo Distrito Federal rezou essa cartilha. A partida foi intensamente equilibrada nos três quartos de cinco minutos, a ponto de terminar o tempo normal em 15 x 15. Na prorrogação em "golden point", houve duas chances para cada lado antes que o novato Matheus, de 14 anos, selasse o placar em 16 x 15 para Goiás, a nova equipe de João Vitor, que se consolidou como tricampeão da competição.

 

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Festa da delegação goiana pelo título do basquete 3 x 3 nas Paralimpíadas Escolares. Foto: Gustavo Cunha/ Min. Cidadania

 

A vitória foi a senha para cenas simbólicas. Enquanto João Vitor chorava e abraçava integrantes da delegação goiana que invadiram a quadra, Carlos, o terceiro integrante do trio goiano, se lançou da cadeira ao chão do ginásio em celebração. Ele teve sintomas de infecção estomacal nos últimos dias. Jogou as quartas com 38° de febre. Quase foi internado na noite anterior à final, mas melhorou dos sintomas após avaliação do setor médico da competição. Elias e João Vitor se abraçaram em reconhecimento aos esforços de ambos. As equipes de Goiás e do DF se uniram num grito pelo esporte do Centro-Oeste, puxado pelo técnico André Barbosa, campeão em 2017 e 2018 pelo DF e agora, em 2019, por Goiás. A medalha de bronze ficou com a equipe do Paraná, que superou a seleção da Paraíba por 12 x 7.

 

"Qualquer um que ganhasse aqui estava justo. A gente sabe do sacrifício dos professores lá no Distrito Federal, vive o sacrifício que a gente tem em Goiás. Conhecemos a luta que a gente passa todos esses dias para chegar até aqui. Foi uma final que honrou o basquete do Centro-Oeste e brasileiro, né?", avaliou André Barbosa. "Ter o Elias e o João Vitor em times diferentes foi bom para todos perceberem o quanto eles jogam. E o Carlos eu até me emociono em falar. Ele ia para o hospital e seria internado ontem. Só conseguimos a liberação para o jogo hoje cedo. Esse título representa muito".

 

Paralimpíadas Escolares 2019

 

Paralimpíadas Escolares 2019


Para João Vitor, o duelo foi exatamente o que ele imaginou. "A gente sabia que ia ser pegado. No início, sendo sincero, as duas defesas estavam ruins, mas depois melhoramos. O Elias estava com a mão calibrada e fez três cestas de fora. Eles distanciaram, conseguimos buscar, fizemos bandejas, cavamos faltas. E o novato, o Matheus, teve a maturidade para matar a bola decisiva", avaliou o tricampeão.

 

"Erramos algumas bolas fáceis, estouramos algumas vezes os 14 segundos de posse e toda bola que a gente errava eles pegavam o rebote e convertiam. Foi no detalhe, mas gostei muito. Todos sabiam que não seria fácil. Foi merecida a vitória deles", avaliou Elias, que recebeu o troféu de cestinha da competição, com 51 pontos anotados no torneio.

 

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João Vitor e Elias entraram em quadra como bicampeões. João ficou com o tri. Foto: Gustavo Cunha/ Min. Cidadania

 

Seleção no horizonte

 

A partida parou o Centro de Treinamento Paralímpico de São Paulo. Atletas de várias modalidades se deslocaram para acompanhar o duelo, que foi transmitido ao vivo pelo Comitê Paralímpico Brasileiro com direito a comentários do técnico da Seleção Brasileira, Sileno Santos.

 

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João Vitor e Elias: adversários em quadra, amigos assim que o apito soa: futuro na seleção. Foto: Gustavo Cunha/ Min. Cidadania

 

"Chamou a atenção o nível técnico dos jogadores em quadra. Foi um duelo muito disputado e muitos participantes demonstraram potencial, talento e habilidade que podem ser desenvolvidas ao longo dos anos. Certamente atletas como o Elias e o João Vitor têm um futuro esportivo promissor. Além de já demonstrarem personalidade, são talentos para o basquete do Brasil. Certamente os veremos defendendo a seleção no próximo Mundial Sub-23 em 2021", comentou Sileno.

 

O treinador da seleção também elogiou a quantidade de atletas e a variedade de estados presentes. "Tivemos oito estados inscritos e a presença de quatro meninas. São evoluções que fazem com que o evento cresça a cada ano", disse. "Acredito que as Paralimpiadas Escolares, com a inserção do basquete em cadeira de rodas, é uma das principais ações para que possamos alcançar melhores posições no cenário internacional no futuro", disse.

 

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Gustavo Cunha - Ascom - Min. Cidadania