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Pinheiros dá o troco no Reação e conquista o título do Grand Prix Nacional de Judô

publicado: 23/09/2019 17h09, última modificação: 02/12/2019 18h47

O reencontro entre Pinheiros e Instituto Reação na decisão do título do Grand Prix Nacional de judô teve enredo favorável aos paulistas no Sesi de Taguatinga, no Distrito Federal. Atual campeão, o Reação foi superado dessa vez por 4 x 1 na final da disputa por equipes mistas.

Campeã olímpica, mundial e dos Jogos Pan-Americanos, Rafaela Silva (-57kg) lutou duas categorias acima da que está acostumada. Acabou vencida por Ellen Santana (-70kg) com um golpe no Golden Score. O pesado David Moura (+100kg), número seis do mundo na categoria, foi superado por Eduardo Yudy (-81kg) em um ippon improvável e plástico que decretou o título do Pinheiros.

 

Equipe do Pinheiros, repleta de atletas da seleção brasileira, comemora o título do Grand Prix. Foto: Tati Amaya / MCS

“Numa competição por equipe é diferente. A gente calcula estilos, compatibilidade de jogo, possibilidades. Lutamos no peso acima ou no que estamos acostumadas. Eu treino bastante com a Ellen na seleção. Hoje não consegui marcar o ponto, mas é time. Eu perdi, a equipe perdeu”, comentou Rafaela Silva.

“Fico muito feliz com o desempenho. É meu primeiro ano no Pinheiros, por isso essa conquista é importante. Lutar com a Rafa não tem nem o que falar. Ela é parceira sempre. Rodamos o circuito juntas, tenho respeito total por ela, mas em cima do tatame, hoje, fomos adversárias. Era uma luta mapeada porque treinamos, aquecemos juntas”, disse Ellen.

No caso de Yudy, o medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima na categoria -81kg confessou que chegou a se assustar quando soube da missão. “Lutei numa categoria que nem imaginava. O Baby (Rafael Silva, titular do Pinheiros entre os pesados) se machucou e aí meio que sobrou para mim. Eu estava preocupado, mas ao mesmo tempo via um pouquinho de chance. Conheço bem o David. Ele me conhece também. Sabia que seria uma luta rápida. Se eu não desse conta ele ia me jogar rapidinho”, afirmou Yudy.

“Ele é um cara habilidoso. Muito leve. É muito diferente para mim, que só treino com pesados. Na hora que vi o meu momento na luta, entrei para fazer o golpe, mas ele conseguiu se esquivar e caí praticamente sozinho. De fato, eu tinha de ter feito aquele ponto. Agora é voltar mais forte ano que vem, mas acho mesmo que a única forma de ele me ganhar foi o que aconteceu”, disse David Moura.

Os outros dois pontos dos paulistas foram marcados por Giovani Ferreira, que superou Victor Penalber com um waza-ari no último segundo do tempo de luta, e por Maria Suelen Altheman, que derrotou Luiza Cruz com dois waza-aris. O único ponto do Reação veio com Juninho Bomba. O medalhista nos Jogos Pan-Americanos de Lima superou Adriano Santos na primeira luta do confronto nas punições. Os bronzes ficaram com o Minas Tênis Clube, que venceu o Paulistano por 4 x 0, e com a Sogipa, que passou pelo Paineiras do Morumbi também por 4 x 0.

Eduardo Yudy (-81kg) conseguiu o improvável ippon sobre David Moura, sexto do mundo entre os pesados (+100kg), que valeu o título aos paulistas. Foto: Tati Amaya / MCSEduardo Yudy (-81kg) conseguiu o improvável ippon sobre David Moura, sexto do mundo entre os pesados (+100kg), que valeu o título aos paulistas. Foto: Tati Amaya / MCS

Grand Slam

O Grand Prix e o Troféu Brasil, eventos realizados desde sábado em Brasília, funcionaram também como aperitivo para os atletas que vão representar o Brasil no Grand Slam da modalidade, que será disputado entre 6 e 8 de outubro, na capital federal. O clima quente e seco do Distrito Federal nesta época do ano é um desafio para os judocas, e os brasileiros esperam sair na frente por já terem tido a chance de experimentar essas condições antes dos adversários estrangeiros.

O Brasil terá chance de inscrever até quatro atletas por categoria na competição, que, segundo informações da Federação Internacional de Judô (FIJ), já tem 384 atletas inscritos, de 63 países. O Grand Slam só perde para o Mundial em termos de pontuação para o ranking que define a classificação olímpica.

A realização das competições em Brasília neste último fim de semana e no Grand Slam de outubro conta com mais de R$ 2,5 milhões em investimentos captados a partir da aprovação de projeto para execução de eventos via Lei de Incentivo ao Esporte
Lesionada na disputa do bronze no Mundial de Judô do Japão, a pesada Beatriz Souza, do Pinheiros, está em fase final de recuperação de uma entorse no joelho direito e já veio a Brasília para acompanhar o Troféu Brasil, o Grand Prix e fazer movimentações específicas para estar 100% no Grand Slam. “Voltei a treinar sem restrições. Estou com a recuperação em dia, fazendo fortalecimento e tudo direitinho para chegar bem para o Grand Slam”, disse Bia.

Outra atleta do Pinheiros que espera repetir no torneio internacional a performance que teve em Brasília é Larissa Pimenta. Atleta da categoria -52kg, ela foi ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima, venceu o Troféu Brasil na capital federal e celebrou de fora do tatame o título de sua equipe na final do Grand Prix.

“No nosso time, quem não lutou o Grand Prix, lutou o Troféu Brasil. Deu para todos se adaptarem. Estamos há quase uma semana aqui. Foi importante vir e competir. É uma região diferente, mais seca. Foi importante para a gente saber o que nos espera”, avaliou Larissa.

Forma de disputa

A disputa por equipes mistas obedece ao mesmo regulamento adotado no Mundial, realizado no mês passado em Tóquio, e que será replicado nos Jogos Olímpicos de 2020, também no Japão. São seis atletas de cada lado, com categorias determinadas previamente pela organização. Vence a equipe que somar quatro vitórias primeiro. No caso de um empate em 3 x 3, uma categoria é sorteada para reeditar um combate, que já começa no Golden Score.

Investimentos

A realização das competições em Brasília neste último fim de semana e no Grand Slam de outubro conta com mais de R$ 2,5 milhões em investimentos captados pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ) a partir da aprovação de projeto para execução de eventos via Lei de Incentivo ao Esporte, da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania.

O judô também é uma das modalidades com grande presença do Bolsa Atleta. Ao todo, o esporte conta, atualmente, com 256 atletas olímpicos contemplados pelo patrocínio do programa federal, num investimento anual de R$ 4,5 milhões. São 119 atletas na categoria Nacional, 63 na Estudantil, 30 na de Base, 23 na Internacional, quatro na Olímpica e 17 na mais alta, a Pódio, voltada para atletas entre os 20 melhores do mundo e com repasses mensais entre R$ 5 mil e R$ 15 mil.

Gustavo Cunha - rededoesporte.gov.br