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Secretário especial do Esporte conhece abrigos que acolhem imigrantes venezuelanos em Boa Vista

publicado: 19/01/2019 05h16, última modificação: 02/12/2019 18h48

O trabalho desenvolvido pelo governo brasileiro para acolher os milhares de imigrantes venezuelanos que cruzam a fronteira, fugindo da crise econômica e política que atinge o país vizinho, foi conferido in loco pelo secretário especial do Esporte do Ministério da Cidadania, Marco Aurélio Vieira. Antes de ir a Cruzeiro do Sul (AC) para participar da inauguração do 16º Centro de Iniciação ao Esporte (CIE), o general Marco Aurélio conheceu na manhã desta sexta-feira (18.01), em Boa Vista (RR), três abrigos coordenados pelo Ministério da Cidadania e pelo Exército.

Vivem atualmente na capital de Roraima 6.585 imigrantes venezuelanos. Desse total, 648 indígenas, na maioria da etnia Warao, estão acomodados em um abrigo no centro de Boa Vista. O Ministério da Cidadania e o Exército contam com a parceria do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) para oferecer alimentação, acompanhamento médico, escola para as crianças – que são metade dos indígenas acolhidos – e atividades esportivas, como vôlei e futebol.

“O esporte é fundamental para que os imigrantes, principalmente as crianças, tenham mais qualidade de vida neste momento difícil pelo qual estão passando”, destacou o secretário Marco Aurélio. Ele adiantou que pretende incorporar programas socioesportivos da Secretaria Especial ao dia a dia dos venezuelanos em Roraima.

 

 

O tenente Lucas Cavalcante, comandante do abrigo, explicou que os primeiros indígenas venezuelanos chegaram a Boa Vista no fim de 2016, em busca de comida e de remédios. Foram resgatados das ruas pelo Poder Público e passaram a ser assistidos por voluntários de ONGs como Fraternidade Internacional, Visão Mundial e Médicos Sem Fronteiras.

“É gratificante ajudar uma população que é obrigada a deixar seu país para sobreviver. Toda a logística, como segurança, alimentação e saúde, é feita para a melhoria da vida deles. As crianças têm aulas de português, espanhol e warao, além de atividades esportivas, música, dança e pintura. Os adultos produzem artesanato, como flechas, colares, pulseiras e cestas”, afirmou o tenente, que chama todas as crianças pelo nome e passa suas horas de folga no abrigo, tamanha a relação criada com os imigrantes indígenas.

 

 

Visita de embaixador

O secretário Especial do Esporte visitou também os abrigos Nova Canaã e Tancredo Neves. Comandante da unidade de Nova Canaã, que atende a 381 pessoas, o 1º tenente José Nilton de Matos apontou a necessidade de programas esportivos: “Não temos espaço adequado para a prática de esportes, que seria muito benéfica para as crianças. Mas ajudamos com escola, brinquedos e aulas de artesanato”.

No abrigo Tancredo Neves, o general Marco Aurélio encontrou o embaixador de Luxemburgo no Brasil, Carlo Krieger. “Estou fazendo visitas juntamente com representantes das Nações Unidas. Meu país apoia um importante projeto de auxílio a mulheres venezuelanas que cruzam a fronteira. Queremos contribuir com o Brasil nesse trabalho de ajuda humanitária”, disse o embaixador.

O coronel Moura Filho, coordenador do abrigo Tancredo Neves – 245 venezuelanos atendidos – apontou o processo de interiorização como fundamental para lidar com o problema: “Boa Vista e Roraima não têm estrutura para absorver milhares de imigrantes. Realizamos o ordenamento de fronteira, o acolhimento em abrigos e também desenvolvemos células de interiorização, inclusive com entrevistas em videoconferência para garantir empregos aos imigrantes. Já conseguimos levar 4.500 pessoas para outros estados”.

 


Paulo Rossi, de Boa Vista (RR)